Rio, 25 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), quer levar os presidentes do Tribunal de Justiça e da Assembléia Legislativa ao presidente Fernando Henrique Cardoso para pressionar pela transferência de recursos para o controle do Estado. A fim de tentar quebrar a resistência da equipe econômica para repassar um empréstimo para o caixa do fundo de Previdência do Estado, Garotinho quer mostrar que os três poderes no Rio estão unidos em torno do ajuste fiscal no Estado.
O governador também cobrou do presidente da Assembléia, deputado Sérgio Cabral Filho (PMDB), e do TJ, Humberto Manes, a redução das despesas nos dois poderes.
Estava prevista para ainda hoje uma reunião do secretariado na qual Garotinho iria anunciar um medidas de ajuste para a redução dos gastos no Estado. Ele iria anunciar algumas determinações para seus secretários, entre as quais a limitação para despesas com serviços terceirizados e prestadores de serviços. O pedetista pretender reduzir em 68% as despesas de custeio, como gasto com combustíveis e ligações telefônicas, em 30% as gastos com pessoal e determinar a extinção de 70% dos cargos comissionados.
"Os três poderes estão unidos para tirar o Rio de falência", afirmou o pedetista depois da reunião no Palácio Laranjeiras com os representantes do legislativo. No encontro, estiveram presentes ainda o procurador-geral do Estado, José Muiños Piñeiro, e o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Aluísio Gama.
Cabral Filho deixou o encontro, que durou mais de duas horas
alertando para a grave crise financeira no Estado. "A situação é muito séria para ficar apenas no âmbito do Executivo, por isso
os três poderes entenderam a gravidade do momento e estão comprometidos em trabalhar pela solução", afirmou Garotinho, que estará amanhã (26) na Assembléia Legislativa para apresentar aos deputados estaduais um quadro dos problemas financeiros no Estado.
Segundo números apresentados por Garotinho aos integrantes dos dois poderes, o Estado tem um déficit mensal de R$ 168 milhões. Com uma receita mensal de cerca de R$ 500 milhões, Garotinho tem de pagar a folha de pessoal da ativa, que está em R$ 230 milhões, inativos, R$ 180 milhões, despender recursos para o custeio da máquina estadual, R$ 158 milhões, efetuar o pagamento de dívidas com a União, R$ 70 milhões, e de despesas gerais, R$ 30 milhões.
Dada a crise financeira no Estado, o governador vem tentando convencer o governo federal a transferir um empréstimo de R$ 4,2 bilhões, liberados para cobrir o passivo previdenciário e trabalhista da Previ-Banerj e do Banerj, banco estadual privatizado em 1997, a fim de capitalizar o caixa do fundo de Previdência estadual, o Rio-Previdência. Somente com esses recursos, o pedetista conseguriá fazer funcionar o fundo criado por ele.

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