Rio, 19 (AE) - A obra de recuperação do emissário submarino de Ipanema, na zona sul do Rio, que provocaria o despejo de seis toneladas de esgoto in natura em quatro pontos da orla marítima, transformou-se numa disputa político entre o governo estadual e a prefeitura da capital. Preocupado com repercussão, as críticas de ambientalistas e do prefeito Luiz Paulo Conde, o governador Anthony Garotinho, suspendeu a obra. A suspensão pode chegar a dez dias.
"A situação é grave", disse Garotinho. "A obra precisa ser feita de qualquer maneira e todos, governo e prefeitura, precisam assumir a responsabilidade", afirmou, irritado, referindo-se aos protestos de Conde que acusou o governador e a Companhia Estadual de água e Esgoto (Cedae) de não avaliar os desastres ecológicos da obra no projeto.
Hoje, o procurador Carlos Alberto Aguiar, do Ministério Público Federal, requisitou às secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente, à Cedae e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) informações técnicas sobre a escolha das praias de São Conrado, Costão do Vidagal, Urca e Botafogo como pontos de lançamento do esgoto. "O Ministério Público quer saber se foi uma escolha econômica, ambiental ou de engenharia"
afirmou o procurador.
Os técnicos também terão que esclarecer como serão amenizados os efeitos ao meio ambiente e à população. Segundo o procurador, caso as informações não sejam esclarecedoras, o MP poderá mover uma ação cível indenizatória contra o Estado e os órgãos envolvidos na obra. "O nosso interese é mostrar para sociedade que o problema existe e que o Ministério Público está acompanhando o caso", destacou.
No dia 27 de janeiro, o MP entrou com uma ação pública contra o Estado e a Cedae, por causa do rompimento do emissário de Ipanema. No documento, o Ministério Público pede que o governo estadual realize uma obra definitiva e seja condenado ao pagamento de uma indenização pelo lançamento de esgoto a novecentos metros da praia, além de pedir a construção de uma estação de tratamento de esgoto.
Para Garotinho, a situação do emissário é imprevísivel e são necessárias obras emergenciais. "Nós fizemos reparos para evitar catástrofes", ressaltou. "Mas as obras precisam ser feitas para impedir um dano maior", afirmou. Ele disse que o Estado não tem dinheiro para fazer a reforma do emissário e que irá propor à Petrobrás que financie a obra. "Os impostos que a Petrobrás paga ao Estado seriam o objeto da negociação que poderia ser parcelada em até 12 vezes", afirmou Garotinho. "Apenas não sei com quem falar na Petrobrás, porque ela está sem comando", disse.

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