Agência Folha
Do Rio
Um dia depois de afirmar que não pediria desculpas a Angola pela operação policial contra refugiados angolanos numa favela do Rio, o governador, Anthony Garotinho (PDT), recuou e fez uma retratação pública anteontem diante do cônsul daquele país. Garotinho entregou ao cônsul Ismael Diogo da Silva uma carta na qual lamenta os constrangimentos aos angolanos e afirma que ‘‘nada pode ser mais abominável do que o racismo, a intolerância e a discriminação’’.
O governador culpou a polícia pelo episódio, ocorrido depois de uma chacina de seis pessoas na favela Nova Holanda (zona norte), há 11 dias. Policiais acusaram angolanos de estarem treinando traficantes locais e, depois de ocuparem a favela com mais de 500 homens, revistaram e cadastraram mais de 80 moradores angolanos. Anteontem, Garotinho disse que os policiais responsáveis pela operação ‘‘extrapolaram sua função e agiram de forma discriminatória e racista’’.
Ele informou que deverá ser concluída até hoje a sindicância instaurada pela Secretaria de Segurança para identificar e punir os responsáveis. No sábado, a vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, já havia pedido desculpas ao cônsul, mas ele exigiu que o pedido fosse feito formalmente pelo governador.

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