Garotinho reforma secretariado para agradar a Brizola
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 22 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), decidiu reformar o secretariado para agradar ao presidente nacional do PDT, o ex-governador Leonel Brizola, e evitar os constantes desentendimentos com a cúpula pedetista.
Embora mais enxuta do que a reforma ministerial oficializada há uma semana, a mudança no governo fluminense tem semelhanças com a reestruturação no primeiro escalão do governo Fernando Henrique Cardoso: satisfazer o partido e fortalecer a gestão no Estado, pensando nas eleições municipais de 2000.
Para a Secretaria de governo, Garotinho, depois de abrir uma negociação com Brizola, indicou um homem de confiança do ex-governador: Carlos Lupi, da cúpula nacional do PDT, que deve ser empossado na segunda-feira (26). Ele vai substituir Fernando William, que será deslocado para a Secretaria da Criança e do Adolescente.
Dessa forma, Garotinho procura acabar com o mal-estar gerado no início do governo, quando foi acusado de deixar de lado o partido na escolha dos secretários. Lupi assume um cargo no governo, depois de enfrentar uma situação constrangedora. O nome dele foi confirmado para a chefia do Gabinete Civil, mas Garotinho mudou de idéia, empossando Jonas Lopes.
Após enfrentar desentendimentos públicos com Brizola, Garotinho esteve, há cerca de um mês, numa missão de paz com o PDT. O governador almoçou com Brizola e, depois, a convite do dirigente, participou de uma reunião na sede do partido. Desde então, a reforma no primeiro escalão vem sendo desenhada.
No PDT, há expectativas quanto à saída do grande desafeto de Brizola: o secretário de Justiça e advogado Sérgio Zveiter. Desde que ele assumiu a pasta, as relações entre Brizola e Garotinho azedaram.
Zveiter entrou na lista dos inimigos políticos do dirigente, quando defendeu a intervenção do Exército nas favelas e morros do Rio, no fim do segundo governo Brizola, quando o Estado estava sob o comando de Nilo Batista.
Brizola havia deixado o governo para se candidatar, em 1994, à Presidência da República e a intervenção militar foi um ponto de desgaste na campanha eleitoral. A saída de Zveiter, que ainda não havia sido fechada, pode ser uma boa alternativa para Garotinho porque ela agradaria Brizola e, ao mesmo tempo, mudaria, em parte, os rumos da secretaria.
Garotinho estaria insatisfeito com a atuação do advogado à frente da Justiça. Segundo um integrante da cúpula pedetista, a alteração pode ocorrer, no entanto, num segundo momento, quando novas negociações forem fechadas. Caso Zveiter seja desligado do governo, uma alternativa será transferir o secretário de Administração, Hugo Leal, para o lugar dele. A Administração seria assumida pelo parlamentar João Sampaio.
Garotinho, que vem insistindo que não deixará o PDT, vai precisar do partido para eleger o maior número de prefeitos nas eleições de 2000. O partido, no governo, ganhou força e tem conquistado adesões de políticos no interior. A mudança na pasta da Criança e do Adolescente, uma secretaria que foi idealizada por Garotinho, faz parte de um plano eleitoral. A secretária Mirian Reid vai deixar o governo para assumir a vaga na Câmara dos Deputados, de olho nas eleições municipais de 2000. Ela quer dedicar-se mais à política porque será candidata à prefeitura de Macaé, litoral norte fluminense.


