Rio, 23 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), defendeu hoje uma reforma "severa" do Código Penal brasileiro, chamado de "liberal" . Ele recebeu os pais do estudante Rodrigo Acri, de 19 anos, sequestrado em junho e morto pelos criminosos depois de a família pagar o resgate. Exame de DNA, divulgado hoje, confirma que o corpo encontrado no sábado pela polícia, em Magé, no Grande Rio, é do estudante.
"Precisamos de um Código Penal duro, restritivo, com mais agravantes e menos atenuantes, porque o atual contém uma série de equívocos e facilidades, como a figura do réu primário, que na verdade oferece uma segunda chance ao bandido para roubar e matar." A declaração de Garotinho vai na contramão da proposta do ministro da Justiça, José Carlos Dias, que declarou sua intenção de transformar a legislação para criar penas mais brandas em determinados casos.
Após a conversa com o governador o empresário Rodolfo Acri, pai de Rodrigo, desistiu da idéia de processar o Estado pelo crime, como havia declarado. "A violência é uma consequência de governos anteriores", disse. Ele voltou a defender a aprovação, pelo Congresso, do bloqueio dos bens das famílias de vítimas de sequestro.
"Não sou um governador alienado, tenho consciência dos problemas, mas resolver um problema de 20 anos em oito meses de governo não é fácil; não há milagre", disse Garotinho, que afirmou estar aplicando este ano R$ 60 milhões no setor de Segurança Pública. "Esse valor é 12 vezes superior ao que foi gasto no ano passado."
PM - O governador anunciou que até o fim do ano 1.300 policiais militares que hoje fazem a segurança patrimonial em prédios públicos do Estado irão trabalhar nas ruas. A medida resultará de um convênio com o Comando Militar do Leste (CML), que vai ceder ao governo jovens que tenham acabado de terminar o serviço militar obrigatório. Decreto do governador determinou o retorno de 900 PMs atualmente cedidos a outras instituições.
Exército - Garotinho criticou a posição do prefeito Luiz Paulo Conde, que havia defendido a atuação do Exército no combate à criminalidade no Rio. Ele deu a entender que as relações entre os dois estão cortadas e disse chamou a atitude do prefeito de pedir o Exército nas ruas de"demagógica e eleitoreira". Conde considerou uma retaliação "infantil" a decisão do governador de chamar de volta policiais que estão à disposição de outros órgão públicos, como a prefeitura.

mockup