Washington, 14 (AE) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, prometeu hoje que não voltará atrás na sua decisão de unificar as polícias Civil e Militar - mesmo que seu projeto, anunciado ontem um Nova York, já tenha provocado reações negativas no Brasil. "A polícia está mal acostumada a enfrentar os governos e a ver os governos cederem", disse. "As mudanças que anunciei serão feitas e quem não gostar delas que saia", acrescentou.
Unificar as polícias Civil e Militar é o sonho de muitos outros governadores. Mas até hoje não foi realizado porque depende de uma mudança na Constituição. Na segunda-feira, depois de seu encontro o comissário de polícia de Nova York, Howard Safir, Garotinho disse que encontrara a forma para driblar a legislação. Em novembro, Garotinho enviará à Assembléia Legislativa um projeto de lei criando o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), que terá um comando único.
A Polícia Civil e a Polícia Militar continuarão existindo e desempenhando funções diferentes, como agora. Mas seus agentes serão estimulados a entrarem para o ISP, cujos integrantes receberão melhores salários e carga horária diferenciada, além de outros benefícios. Só que o projeto de Garotinho fecha as portas do ISP a qualquer policial com ficha suja. Todos que estiveram envolvidos em corrupção, tráfico, grupos de extermínio e jogo do bicho serão demitidos. "Eles tem que ser banidos da instituição, e não tem volta, nem enfrentamento", disse Garotinho. "Não abro mão da criação do ISP, nem da limpeza da força policial", acrescentou.
O governo estava respondendo às ameaças de alguns, que consideram seu projeto inconstitucional e já querem questioná-lo na Justiça. "É seu direito", disse Garotinho. "Mas eu fui eleito com o compromisso de mudar e quem não estiver satisfeito que saia do governo", concluiu.

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