Garotinho reabre polêmica sobre privatização da Cedae
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 18 (AE) - O governador Anthony Garotinho (PDT) já declarou que poderá vender parte das ações da Companhia Estadual de água e Esgoto do Rio (Cedae) para a iniciativa privada caso a empresa não se torne lucrativa no prazo de um ano. A polêmica sobre a possível privatização da Cedae, negada por Garotinho, se arrasta desde o governo anterior, de Marcello Alencar (PSDB), que tinha como uma de suas principais bandeiras políticas o Programa Estadual de Desestatização.
A disputa pelo sistema de distribuição e tratamento de água e esgoto já rendeu brigas entre Garotinho e o prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), que alega também ter direitos sobre a empresa. Há cerca de dois meses, os dois chegaram a um acordo - não formalizado - sobre a transferência, para o município, do sistema de saneamento da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da capital, que seria repassado para empresas privadas.
Em maio, o pedido de demissão do então presidente da Cedae, Marcos Montenegro, indicado pelo PT para o cargo, foi mais um capítulo da crise que envolve a estatal. Na ocasião, Montenegro entregou ao governador uma carta com duras acusações, em que afirmava: "inexistiu suporte político por parte de Vossa Excelência para combater as iniciativas de privatização que, se consumadas, retalharão e inviabilizarão a companhia, como comprovam as suas recentes declarações no caso da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, e as hesitações e dubiedades do Governo no enfrentamento das privatizações em Niterói e Campos".
Depois, Garotinho declarou que a venda de parte da empresa poderia não ocorrer, caso a direção da estatal a transformasse numa empresa lucrativa. Foi quando ele estipulou o prazo de um ano para decidir sobre o assunto. Outra proposta é a venda de até 49% das ações da empresa, para que os recursos sejam transformados em ativo financeiro do Rio Previdência, o fundo de previdência do Estado.
Apesar do impasse, o novo presidente da Cedae, o engenheiro Alberto Gomes, anunciou que companhia prepara um calendário para a substituição da rede de esgotos da zona sul do Rio. A obra está avaliada em cerca de R$ 1 milhão.


