Garotinho proíbe divulgação de dados sobre violência no Rio e é criticado pela oposição
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 06 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), proibiu a divulgação de estatísticas dos crimes ocorridos no Estado nos primeiros seis meses de seu governo. A decisão foi tomada após uma série de confusões e desmentidos envolvendo os números da violência no Estado. A iniciativa, porém, não é nova, segundo entidades, associações e sindicatos que afirmam que há três meses a Polícia Civil não lhes passa os registros das ocorrências. "A Secretaria de Segurança Pública não tem comunicado os casos (assaltos)", disse o chefe técnico do Sindicato dos Bancos do Rio, Adalberto Teixeira. Oposicionistas acusam Garotinho de esconder o crescimento da violência em seu governo.
Garotinho determinou que todas as estatísticas sobre violência fossem recolhidas ontem e proibiu que as Polícias Militar e Civil divulgassem dados sem sua autorização. "Ele fez isso porque criou um grupo de estudo para analisar os dados, pois vai divulgá-los correta e oficialmente", afirmou um dos assessores da secretaria, Franklin Carneiro. Segundo ele, o grupo vai apresentar um estudo completo sobre os dados da violência num prazo de 15 dias. Na semana passada, por divulgar estatísticas que apontavam uma explosão no número de roubos de veículos, o delegado Mário Azevedo foi exonerado.
Os problemas de Garotinho com a divulgação de dados sobre a criminalidade no Estado do Rio começaram no carnaval. Na ocasião, ele anunciou uma redução do índice de homicídios na cidade - teriam ocorrido apenas seis casos -, enquanto a Polícia Civil apresentava uma estatística com 106 mortes. A situação se agravou na semana passada quando Azevedo, titular da Delegacia Metropolitana da zona norte da cidade, admitiu publicamente que houve um aumento de 20% nos índices de roubos e furtos de automóveis no Estado, registrado nos primeiros seis meses do ano
em relação ao mesmo período do ano passado. Além da exoneração de Azevedo, a divulgação da informação causou a extinção das 13 Delegacias Metropolitanas na capital.
"Foi uma atitude arbitrária e irresponsável", avalia o presidente do Sindicato dos Delegados do Rio, delegado Pedro Paulo Pinho. Segundo ele, "o governador não está respeitando nem a população nem a Polícia Civil". "Esses dados foram baseados no trabalho de investigação do delegado, e ele não poderia ter sido exonerado por expor a verdade", afirmou. Pinho acusou Garotinho de ter uma política de segurança ambígua. "Ele se recusa a admitir que não acabou com a criminalidade e, ao mesmo tempo, cria forças-tarefas para discutir planos de ação para diminuir a violência", diz. "Ele pensa que a sociedade é boba?"
Para o deputado estadual Hélio Luz (PT), o problema da divulgação dos dados mostra apenas que o Garotinho não tem um plano de segurança, conforme anunciou durante campanha eleitoral. "Ele tenta mascarar a realidade dos fatos", afirma. "Garotinho blefou e não quer admitir que fracassou na meta de reduzir a criminalidade".


