Brasília, 27 (AE) - Foi a pressão dos governadores, liderados pelo governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), que levou o Planalto a enviar ao Congresso o texto da emenda do subteto que está sendo considerado inconstitucional pelos parlamentares da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Garotinho propôs que a emenda incluísse todos os membros dos Três Poderes e do Ministério Público, nas três esferas de governo, municipal, estadual e federal.
O principal argumento de Garotinho foi que a medida permitiria um freio no pagamento, pelo Executivo, de alguns salários exorbitantes pagos aos poderes Judiciário e Legislativo. O texto da emenda, que já havia sido acertada com a comissão de governadores e apresentada pelo presidente Fernando Henrique na reunião da última sexta-feira, incluía apenas o estabelecimento de subtetos para os servidores públicos do Executivo, nas três esferas.
Depois da defesa da inclusão dos servidores e até membros dos três poderes, nas três esferas de governo, o presidente decidiu fazer uma votação. A maioria dos 21 governadores presentes optou pelo texto ampliado - com a inclusão dos membros dos Três Poderes e do Ministério Público. O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e o de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), chamaram a atenção para o fato de que a proposta abriria um leque de problemas. Mesmo assim, os governadores decidiram mandar o texto ampliado. "Ficou claro que teríamos problemas, pois o texto daria margem a diferentes interpretações", disse um assessor do Planalto. "Mas os governadores queriam colocar em pauta esta discussão", completou.

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