Rio, 03 (AE) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), estuda a possibilidade de enviar à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos dossiê sobre irregularidades na privatização do Banerj, ocorrida em junho de 1997. Hoje, o secretário de Fazenda, Carlos Antônio Sasse, entregou a Garotinho um relatório da Procuradoria-Geral do Estado com detalhes da venda da instituição ao Banco Itaú. Segundo o estudo, o governo estadual ganhou pouco mais de R$ 300 milhões e herdou, aproxidamente, R$ 12 bilhões em dívidas.
O passivo, de acordo com o relatório da procuradoria e da Secretaria de Fazenda, é composto por dívidas previdenciárias (R$ 3 bilhões); ações judiciais movidas por trabalhadores (R$ 1 bilhão); multas e outras penalidades aplicadas pelo Banco Central ao Banerj (R$ 4 bilhões) e parte da chamada massa falida - indenizações de ex-funcionários que não foram pagas -, que chegam a R$ 4 bilhões.
O governador, que defende a anulação da privatização do banco, pretende encaminhar o relatório ao Ministério Público estadual para investigações. Garotinho espera ainda a explicação do Banco Central sobre a autorização de privatização do Banerj para decidir se envia ou não o dossiê à CPI do bancos. O ex-secretário estadual de Fazenda Marco Aurélio Alencar, que comandou a operação de venda do Banerj, disse, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que a venda do banco foi "legal".
Segundo Alencar, a privatização passou pelo Senado Federal e foi gerenciada pelo BC, portanto foi transparente. Ele lembrou que o Banerj já estava sob regime de administração especial temporária do BC, "por causa de 12 anos de má administração, quando seu pai, Marcello Alencar, assumiu o governo do Estado, em 1995.

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