Rio, 15 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje que pode aceitar a elevação das taxas de juros no contrato de renegociação da dívida do Estado com a União, se a equipe econômica do governo federal der o sinal verde para incluir no acordo todos os débitos do Estado, que totalizam R$ 22,3 bilhões, para o cálculo do limite de comprometimento da receita líquida com o pagamento. Garotinho quer que o patamar de 13% da receita líquida para os desembolsos mensais do Estado com o objetivo de quitar a dívida seja calculado sobre os R$ 22,3 bilhões e não mais sobre os R$ 12,9 bilhões, valor renegociado pelo antecessor, o tucano Marcello Alencar.
Com a fórmula proposta, Garotinho explicou que vai pagar por mês um valor inferior ao que havia sido formalizado anteriormente. "No acordo que estava no Senado, este ano, eu chegaria a comprometer 26% da minha receita líquida com o pagamento da dívida, que está em R$ 22,3 bilhões, 13% sobre os R$ 12,9 bilhões e 13% sobre o restante", disse o pedetista. Pelo contrato assinado por Alencar, os juros foram fixados em 7 5% mais correção pelo Índice Geral de Preços (IGP)-DI. Segundo Garotinho, a taxa poderia ser elevada, sem comprometer as finanças do Estado, caso o governo federal aceite a proposta. O governador iria fechar hoje a minuta do acordo, em reunião com a equipe. Ele deve entregar a proposta ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, na próxima semana e a expectativa é de que o contrato seja aprovado pelo Senado até o fim do primeiro semestre.
Garotinho voltou hoje a fazer ataques ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), dizendo que o colega tem "gestos arrogantes para parecer oposição" e quer apenas "marcar posição". "Eu tenho uma postura que não muda: sempre fui oposição." Ele afirmou que tem mais "legitimidade" do que Itamar para participar de atos da oposição contra o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O pedetista disse que, se fosse convidado por partidos de oposição, participaria de manifestações contra o atual modelo econômico.
"Eu participaria de manifestações com muito mais legitimidade que Itamar, que apoiou Fernando Henrique (na eleição de 1994), enquanto eu dei apoio ao Lula", disse Garotinho, ao ser questionado sobre a ida do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, a Belo Horizonte, para convencer o governador de Minas Gerais a voltar atrás da decisão de romper com o grupo de governadores de oposição.
"O governador deveria refletir mais sobre seus atos; afinal, quem instituiu o FEF (Fundo de Estabilização Fiscal) foi ele, quando era presidente da República", provocou Garotinho. O pedetista voltou a dizer que Itamar quer se aproveitar do momento para mostrar ser um potencial candidato às eleições presidenciais de 2002.
Sobre as eleições municipais de 2000, Garotinho afirmou que vai cumprir o acordo com o PT para lançar um nome do partido à sucessão do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL). A vice-governador do Rio, Benedita da Silva (PT), é a candidata de Garotinho para a eleição municipal. Pelo acordo, segundo Garotinho, o candidato a vice-prefeito será do PDT. Ele desconhece a posição do PDT para lançar um candidato próprio à prefeitura e nega a crise entre petistas e pedetistas no Rio.

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