Garotinho nega privatização da Cedae
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 11 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje que rejeita a idéia de privatizar a Companhia Estadual de águas e Esgoto (Cedae) para capitalizar o Rio-Previdência, fundo de previdência estadual. Ao desembarcar hoje no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, ele negou a venda da estatal, mesmo sabendo da disposição do governo federal em autorizar empréstimos para os fundos estaduais.
O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, sinalizou para a possibilidade de liberar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal (CEF) a título de antecipação de receitas de privatização para que Estados capitalizem fundos de previdência estaduais. A Cedae é a única estatal com possibilidade de privatização, porque a administração anterior vendeu a maior parte das empresas do Estado.
Garotinho, no entanto, diz que conseguirá dar liquidez ao Rio-Previdência usando recursos e créditos do Estado. Ele está em negociação com a CEF para a transferência de R$ 4,2 bilhões para o Rio-Previdência. Os recursos são relativos a um empréstimo do governo federal para cobrir o passivo previdenciário da caixa de previdência do Banerj (Previ-Banerj), banco estadual privatizado em 1997. Garotinho calcula que, no total, conseguirá instituir o fundo com recursos da ordem de R$ 17 bilhões, somando créditos previdenciários, cerca de R$ 9 bilhões, com a União.
A privatização da Cedae, embora negada hoje pelo pedetista, não é um assunto que está fora de suas cogitações. Depois de fazer uma campanha eleitoral atacando sistematicamente a privatização da companhia, Garotinho, logo após assumir o governo, admitiu a possibilidade de buscar um parceiro privado ou vender o controle acionário se a estatal, dentro de um prazo de um ano, não tivesse um satisfatório desempenho financeiro. O pedetista, no entanto, não deu a declaração relacionando a venda da companhia com o Rio-Previdência.
Paris - Garotinho chegou de Paris, onde teve uma conversa com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, sobre o empréstimo de R$ 180 milhões, para obras do projeto de infra-estrutura e urbanização da Baixada Fluminense, o Baixada Viva, já aprovado pelo Senado. Os senadores também aprovaram a tomada de empréstimo pelo governo fluminense com o Banco Mundial (Bird) no valor de R$ 186 milhões para o Programa Estadual de Transportes (PET). Segundo o pedetista, os contratos com os bancos devem ser assinados na próxima semana, depois do aval do Banco Central.


