Garotinho muda discurso o cobra atuação incisiva da polícia no Estado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 20 (AE) - Numa mudança de discurso, que costumava priorizar a defesa dos direitos humanos, o governador Anthony Garotinho cobrou hoje uma atuação incisiva da polícia contra a violência no Estado. "O policial não pode ser um banana, não pode reagir a tiros com flores", afirmou o governador, durante entrega de premiação a comandantes da Polícia Militar e delegados pela redução do índice de criminalidade em três áreas de segurança, entre as quais o bairro de Copacabana, na zona sul.
A queda dos índices de violência foi apontada por estatística que compara os registros de ocorrência policiais de crimes como assassinato, assalto, roubo de carro, nos meses de agosto e setembro, mas não deixa claro sobre o motivo de a criminalidade não ter sido reduzida nas demais áreas do Estado, onde estão bairros vizinhos a Copacabana, como Ipanema e Leblon.
Garotinho, que cantou o hino da PM no encerramento da cerimônia, exigiu que os policiais "façam valer a sua autoridade". "Uma polícia fraca faz parecer que há um estímulo à criminalidade", afirmou. Porém, ressaltou que não estava pedindo que os policiais fossem arbitrários. O governador disse ainda que não devia haver surpresa com o tom do seu discurso. "O próprio Jesus Cristo quando teve de usar o chicote, usou", justificou-se.
Direitos Humanos - Para o coordenador de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania, Luiz Eduardo Soares, o discurso do governador não é contraditório com a posição do seu partido, na defesa dos direitos humanos. "É preciso desmistificar essa fantasia de quem defende os direitos humanos, defende uma política frouxa", afirmou. "Defendemos uma polícia serena, firme e respeitável". Estatística - Comandantes dos batalhões e delegados de polícia premiados justificam a redução da violência nas suas áreas com o mesmo argumento: reuniões quinzenais em que são decididas as modalidades de crimes que serão alvos da polícia. O secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, não soube explicar o motivo de não ter havido queda da criminalidade nos bairros vizinhos, já que o método é o mesmo. "Com o tempo vamos identificar se há falta de empenho dos policiais ou falta de recursos", afirmou o coronel. "O que importa é que agora estamos premiando os que se destacaram".
Para premiar os comandantes de batalhões e delegados, o governo estadual dividiu o Estado em três: região metropolitana, interior e Baixada Fluminense. As áreas de segurança que teriam alcançado os melhores índices de redução na violência teriam sido, respectivamente, Copacabana, na zona sul, Nova Friburgo, na região serrana, e a que concentra os municípios de Nova Iguaçu, Nilópolis e São João de Meriti, na Baixada, identificada como área 20 .
A taxa de assassinatos em Copacabana (número de crimes por cada grupo de 100 mil habitantes), caiu de 1,78 em agosto para 0,59 em setembro, segundo os dados da Secretaria de Segurança. Já em Nova Friburgo, a redução foi de 2,57 para 1,14. Na área 20, o número de assassinatos foi de 3,68 em setembro, ante 4,58, em agosto.


