Rio, 22 (AE) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), lança amanhã (23), às 16 horas, no Palácio Guanabara, sede oficial do governo, o programa estadual de combate ao tráfico de armas. Segundo o subsecretário de Segurança, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, será montada uma campanha de tolerância zero à comercialização ilegal de armamentos, que atuará, essencialmente, em duas linhas de ação - uma legal e outra, policial. A primeira agirá na esfera institucional. "Vamos montar uma comissão de juristas para estudar projetos de lei que possam limitar ao máximo a comercialização de armas no Estado", adianta.
O grande problema hoje, explica Soares, é a legislação que regulamenta o porte de armas, que é de esfera federal. Para isso
será usado todo o poder político do governador para deflagrar uma campanha de amplitude nacional, com intuito de envolver deputados federais e senadores no debate do problema. Paralelamente, a Secretaria de Segurança fará um recadastramento de todas as armas que circulam no Estado. Na polícia, a idéia é, num primeiro momento, sufocar ações de traficantes de favelas que estejam em guerra pelo comando do tráfico.
"Houve um tiroteio entre traficantes em uma favela, no dia seguinte, a polícia estará lá para inibir a ação deles", explica o subsecretário.
Segundo ele, será uma ação coordenada entre as polícias Militar e Civil. Enquanto os militares terão a função de garantir a segurança no local ocupado, os civis farão um trabalho de recolhimento de cápsulas deflagradas que serão encaminhadas para exames de balísticas.
"Queremos, com isso, identificar qual é o tipo de armamento que vem sendo usado pelos os bandidos no Rio", conta. O subsecretário explica ainda que os policiais serão obrigados a registrar a segunda arma em sua carteira funcional, o que não é feito hoje. Aqueles que não fizerem o registro, poderão ser passíveis de expulsão da corporação. "Nós sabemos que um dos grandes focos do contrabando de armas está entre os próprios policiais, que muitas vezes comercializam ilegalmente revólveres e pistolas capturados em confrontos com traficantes", diz. Mais a longo prazo, adianta Soares, será montado uma comissão de inteligência na Polícia Civil, que terá o objetivo de investigar e descobrir as rotas de entrada e saída do tráfico de armas no Estado. A comissão contará com a participação da Polícia Federal
Ministério Público e Exército.

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