Brasília, 09 (AE) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disse há pouco, na reunião com parlamentares da oposição, na Câmara dos Deputados, que a reunião de hoje dos governadores com os ministros das Fazenda, Comunicações e Previdência, "foi um tremendo recuo do governo". Ele lembrou que a disposição anterior do governo era de não recebê-los e disse que os articuladores políticos do governo temiam que eles (governadores) fossem ao Palácio do Planalto protocolar a Carta de Porto Alegre. Garotinho disse que o desequilíbrio do governo federal é consequência "dos Estados governados pelos aliados do senhor presidente da República". Segundo ele, esses governadores fizeram administrações "perdulárias e irresponsáveis".
Garotinho disse que, na reunião da manhã, deixou o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, assustado, quando citou parte do contrato assinado por seu antecessor, em nome do governo do Rio de Janeiro, com a empresa que explora o metrô. Ele disse que a empresa deve pagar 200 prestações de R$ 1 milhão, mas "a cada 30 dias de atraso, se a prestação não for paga, ela é extinta". Ele disse que no final do governo de Marcello Alencar duas prestações foram extintas e, no atual governo, a empresa vem buscando desculpas para atrasar os pagamentos. Segundo Garotinho, o Estado tem hoje um déficit primário mensal de R$ 70 milhões. Mas ele pretende, em seis meses, atingir um superávit mensal de R$ 110 milhões.
Entre as medidas planejadas pelo governador estão o controle da folha de pagamento do Estado pelo CPF dos servidores (o que deverá garantir R$ 28 milhões de economia, segundo Garotinho), fixação de teto salarial (com R$ 40 milhões de economia) e criação da Rio-Previdência. O governador disse que a situação do Rio é diferente da de outros Estados, pois o Senado ainda não aprovou o acordo de renegociação da dívida. Ele fez um apelo para que o acordo não seja aprovado ainda, pois elevaria de 6% para 14% o comprometimento da receita líquida do Estado e exigiria o pagamento retroativo desde junho de 98. "Se aprovar agora, o Estado quebra no dia seguinte", disse Garotinho.

mockup