Rio, 06 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), fez um apelo, hoje, ao presidente Fernando Henrique Cardoso para voltar atrás e manter o encontro com a oposição que havia sido marcado para a próxima terça-feira, segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio Guanabara, sede da administração fluminense. "Eu faço um apelo ao presidente Fernando Henrique para que o diálogo não seja interrompido", assinala.
"Não fica bem para o País que o presidente, que deveria dar o exemplo do diálogo, feche a porta", disse ele em entrevista ao "Jornal da Globo", poucas horas depois de saber do cancelamento da audiência pelo presidente, que se irritou com o teor da Carta de Porto Alegre, aprovada ontem por governadores de oposição. Para Garotinho, a reunião de terça-feira está mantida. "Não vou tomar conhecimento da decisão do presidente por meio de entrevistas".
Segundo o pedetista, a Carta de Porto Alegre não representa ofensa ao "senhor Fernando Henrique". "O presidente empenhou sua palavra no sentido de que deseja conversar conosco". De acordo com a nota, os governadores de oposição reunidos em Porto Alegre continuam acreditando que o "melhor caminho para o País é o diálogo e o entendimento".
Moderado - Em entrevista ao "Jornal da Globo", Garotinho admitiu que a Carta de Porto Alegre poderia conter pontos mais radicais. Mas a oposição, segundo ele, optou por aprovar algo mais moderado. "Poderia sair algo muito pior", afirmou. Para ele, a Carta de Porto Alegre representa apenas o desejo dos governadores e não uma "ofensa" ao presidente. "Está havendo um grande equívoco".
O pedetista acredita que a divulgação do documento foi feita com objetivo de deixar o presidente informado sobre as reivindicações dos Estados. "Nós não vamos lá tomar café da manhã, vamos discutir o problema dos Estados", disse durante o jornal. "Nossa intenção foi divulgar todos os pontos para que, se tivesse alguma proposta do governo, ela já fosse apresentada na terça- feira".

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