Garotinho e PMDB tentam reaproximação
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 05 (AE) - Após três meses na oposição, o PMDB do Rio voltou a discutir com o governador Anthony Garotinho (PDT) uma aproximação que poderá resultar em participação no governo. O líder do partido na Assembléia Legislativa, Henry Charles, admitiu hoje que existe a possibilidade de integração à administração, mas ressalvou: "Quem tem que identificar a forma de solidariedade ao PMDB é o governador", ou seja, a ele cabe fazer o convite. Embora estude desde abril uma reforma no secretariado, só recentemente Garotinho a iniciou, com trocas em duas secretarias e criação da de Planejamento Estratégico.
Na última segunda-feira, Charles e outros líderes partidários reuniram-se com Garotinho no Palácio Guanabara. O governador, segundo Charles, queria dar seguimento à política de "cooptação informal" de cada parlamentar, que já desenvolve desde o início do governo, desta vez com a concordância da liderança, com o que o deputado não concordou. "Queremos jogo limpo", disse ele. "Se o governador quer nosso apoio, que seja às claras, com protocolo de intenções." No encontro, Charles fez críticas à área de segurança pública.
A aliança de partidos que elegeu Garotinho (PDT, PT, PSB, PC do B e PV) não tem maioria na Assembléia, onde o PMDB é a maior bancada, com 17 deputados.
Desde o fim do governo passado, o PMDB fluminense reveza posições de oposição e apoio a Garotinho. No primeiro turno da campanha, apoiou o candidato da situação ao governo, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB). No segundo, apoiou o pedetista, numa postura que manteve nos primeiros três meses de governo.
Depois, frustrado na intenção de conseguir nomear o diretor do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), órgão que controla as tarifas intermunicipais de ônibus, e o secretário dos Transportes, começou um processo de afastamento e conflito. Isso resultou na denúncia, feita por Garotinho, de que empresários de ônibus ligados à Assembléia Legislativa, presidida pelo peemedebista Sérgio Cabral Filho, tentaram suborná-lo. A partir daí, o PMDB passou à oposição - "independência crítica", nas palavras de Charles.
Segundo o deputado, o partido não tem negado apoio aos projetos do Executivo que considera de interesse público, mas não aceita irregularidades. Entre os problemas que o parlamentar citou estão o suposto uso do Diário Oficial e de um CR-ROM distribuído durante a Cimeira para promoção pessoal do governador, a reforma da chamada Delegacia Legal supostamente sem licitação e a preços superfaturados e a presumida privatização da Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae), por concessão aos municípios. Apesar deles, Charles admitiu que o PMDB poderia aceitar um convite para ser governo.


