Rio, 21 (AE) - Os governadores do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), consideram falta de delicadeza do presidente Fernando Henrique Cardoso declarar a um jornal carioca que a reunião com os governadores no dia 26 será apenas simbólica. Lessa e Garotinho cobram de Fernando Henrique uma pauta para a reunião e demonstraram temor de que o encontro seja transformado em encenação. "Não vamos lá para posar para fotografias", disse Garotinho. "Num encontro tão amplo, se não houver pauta única a reunião se perde."
Como temas para debate, Garotinho sugeriu a revisão da lei Kandir, renegociação de dívida e discussão dos fundos de Estabilização Fiscal (FEF) e para Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef). Ele desafiou a equipe econômica do Ministério da Fazenda a comprovar que as reivindicações dos governadores da oposição, incluídas na Carta de Porto Alegre, vão gerar um impacto nas contas do governo de R$ 29 bilhões. "Esses números são falsos", disse o governador cerca de duas horas antes de encontrar Fernando Henrique, que participa no Rio do Fórum Mercosul-União Européia. O governador disse que iria expor essas críticas ao presidente.
A cinco dias do encontro com Fernando Henrique em Brasília, Lessa e Garotinho criticaram o fato de o presidente ter enviado o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (um desafeto do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, do PMDB) para convidá-lo para a reunião. "Seria como mandar o ex-presidente Fernando Collor de Mello conversar com Lessa", comparou Garotinho. "O presidente Fernando Henrique precisa dar à opinião pública uma demonstração mais clara de que quer Itamar na reunião."
Segundo Lessa, o presidente não foi "hábil" ao mandar o ministro para Belo Horizonte. Garotinho concordou e disse que seria melhor que um ministro do PMDB mais afinado com Itamar fosse à capital mineira convencê-lo a participar da audiência com Fernando Henrique. "Nós estamos fazendo grande esforço para atrair Itamar para a reunião, mas é preciso que o presidente faça a sua parte", disse Garotinho. O governador carioca afirmou que o presidente nacional do PT, José Dirceu, também defende a participação de Itamar no encontro do dia 26.
Ronaldo Lessa disse que o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (PSB) vai a Belo Horizonte tentar atrair Itamar para a reunião. "Itamar acha que eu sou muito garoto, então pedi ao Arraes para ir a BH", declarou Lessa. "Itamar já deu cascudos na gente, mas a gente continua acariciando", brincou o governador de Alagoas, ao dizer que não desistiu da participação de Itamar no encontro com o presidente.
Apesar das críticas, os governadores de oposição mantêm a disposição de ir a Brasília. Lessa, no entanto, não sabe dizer se o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), vai ao encontro. "Eu só posso garantir que os governadores do Acre, Jorge Viana (PT), do Mato Grosso, Zeca do PT, do Amapá, João Capiberibe (PSB), eu e Garotinho vamos à reunião", afirmou. "Não vão poder dizer amanhã que somos intransigentes", completou Garotinho.
Garotinho afirmou que está preparando uma proposta contendo 20 pontos para um pacto entre União, Estado e municípios. O governador incluiu pedido de renegociação da dívida dos Estados com a consolidação de todos os débitos, tanto mobiliários, quanto contratuais, em único acordo; reforma tributária com definição da atribuição de recursos para municípios, Estados e União; ajuda federal para a formação de fundo previdenciário dos Estados e respeito à autonomia financeira dos Estados. Ele defendeu ainda um pacto pelo emprego e educação. Segundo Garotinho, o governo pode manter o Fundo para Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), desde que a União dê sua contrapartida.

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