Garotinho e Fiocruz prometem ajuda ao Timor Leste
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 04 (AE) - O líder da resistência de Timor Leste, José Alexandre Xanana Gusmão, de 53 anos, disse hoje, em visita oficial ao Rio, ser um "guerrilheiro aposentado" e reafirmou que não vai disputar a Presidência, afirmando que pretende "experimentar a vida civil". Mas ressalvou, até as eleições gerais, que não têm data prevista para ocorrer, permanecerá como representante de seu povo, em busca da cooperação de outros países para a reconstrução do Timor. Ele obteve promessas de ajuda do governador Anthony Garotinh (PDT) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
"Deve-se acabar com os mitos, para que os velhos heróis não se tornem os maus heróis do futuro; agora precisamos de novos heróis", afirmou. "As necessidades são outras: antes eram necessários soldados, agora queremos engenheiros, professores, mecânicos e doutores."
Xanana obteve, pela manhã, promessas de ajuda do governador Anthony Garotinho (PDT) e da direção da Fiocruz para convênios de assistência técnico-científica nas áreas de saúde, educação e formação de recursos humanos. "O Brasil vai participar em grande escala do processo de reafirmação de nossa identidade, principalmente no apoio ao sistema educacional", disse.
Ao comentar o projeto de alfabetização de adultos proposto por Garotinho, Xanana fez uma comparação e disse que a população de Timor, de 800 mil habitantes, "é como mais uma pequena favela carioca".
Fiocruz - Xanana conheceu o setor de fabricação de vacinas da Fiocruz e disse que a área da saúde é outra prioridade do Timor. "Com certeza, seja na formação de recursos humanos, na área de medicamentos ou na área de vacinas, haverá uma colaboração muito grande entre a nossa instituição, o Ministério da Saúde e o Timor", disse o vice-presidente da Fiocruz, Renato Cordeiro.
Assustado com o assédio de repórteres, o líder timorense deixou claro que prefere evitar câmeras e microfones. "Eu estive 17 anos no mato e sete na cadeia", lembrou, referindo-se aos períodos em que viveu na luta armada (1975-1992) e na prisão (1992-1999). Muito simpático e receptivo, recebeu a reportagem no quarto em que está hospedado, no Hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio.
A visita de Xanana foi acompanhada pelo coordenador do Itamaraty Kywal de Oliveira, futuro chefe do escritório de representação do Brasil no Timor, um país de quase 15 mil quilômetros quadrados. Segundo o líder timorense, militares da Indonésia ainda estariam treinando e armando milicianos no País.
Estava prevista para o fim da tarde de hoje uma visita de Xanana à Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Xanana ficará no Rio até quinta-feira, quando está previsto seu retorno para o Timor.


