Rio, 27 (AE) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), afirmou hoje que vai mobilizar as empresas e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) contra a equalização de preços do gás importado e nacional. "Esse pacote prejudica o Rio, que é um Estado produtor", reclamou Garotinho. "Por ser um Estado produtor, tem custo menor do que o gás que vem da Bolívia, que tem custo fixo enorme, por causa do gasoduto", explicou.
O governador lembrou que o Estado tem uma "infinita vantagem" sobre outros para a instalação das termoelétricas. "Como é que o governo acaba com a equalização do combustível, que ficou com o preço liberado, e mantém isso no gás?", questionou Garotinho, após cerimônia de assinatura de renovação de contratos com a Supervia para fazer a segurança da rede de trens urbanos no Rio de Janeiro. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, deve se manifestar sobre o assunto amanhã.
Garotinho protestou contra a igualdade dos preços do gás
mas o secretário de Energia do Rio de Janeiro, Wagner Victer, afirmou categoricamente que a medida não vai ser adotada. Segundo Victer, a garantia foi dada a ele e ao próprio governador pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, na sexta-feira.
Preços diferenciados - Os três encontraram-se na cerimônia de assinatura de contratos para exploração por empresas privadas de petróleo de áreas licitadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), na Gávea Pequena. "Ficou estabelecido que haveria um preço para o gás nacional e outro para o importado", afirmou o secretário. Os valores seriam, respectivamente, de US$ 1,94 e de US$ 2,55 por BTU (unidade de medição de energia).
A unificação dos preços representaria um "retrocesso", afirmou Victer, porque traria prejuízos para os Estados produtores, como Rio de Janeiro, Sergipe, Ceará e Espírito Santo. "Até São Paulo seria prejudicado, depois da nova descoberta em Santos", lembrou. Segundo ele, o governo não trabalha com esta proposta, que seria um "rumor de mercado".
Para o secretário, a medida também seria contraditória, porque iria afetar o desempenho das quatro usinas termoelétricas que serão construídas no Estado. "O governo federal não vai jogar água fria nos projetos que ele mesmo está capitaneando", argumentou. Está prevista a construção de quatro termelétricas no Rio de Janeiro.
A Light, a Companhia Energética do Rio de Janeiro (Cerj)
a Escelsa, do Espírito Santo, e a Cataguazes-Leopoldina serão sócias em uma usina em Rio das Ostras, na Região dos Lagos. A Cedeco e a nacional PRS pretendem construir outra Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A Endesa será responsável pela usina de Cabiúnas e a inglesa Enron deve construir outra, em Japeri ou Queimados, também na Baixada Fluminense. Com exceção desta última, as três devem ter seus protocolos para o início das obras assinados proximamente, segundo Victer. "Deveríamos ter começado há dois anos", reclamou.

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