Garotinho diz que vai demitir para enxugar quadro
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 19 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), anunciou hoje que vai começar a demitir funcionários do Estado e admitiu ainda a possibilidade de criar um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir o quadro de pessoal. "Há excesso de gente no meio da burocracia e, por isso, vamos demitir quem não trabalha para que o Estado possa pagar mais a quem trabalha", declarou.
É a primeira vez que Garotinho - que durante a campanha eleitoral rechaçava a idéia de diminuir o número de servidores - admite que vai exonerar funcionários Segundo ele, é preciso reduzir as despesas com pessoal e viabilizar a contratação de pessoal para áreas onde há déficit de servidores, como por exemplo, na saúde, segurança pública e educação. Hoje, cem policiais civis, que fizeram concurso em 1994, foram contratados. Garotinho também está chamando 2 mil professores concursados numa tentativa de reduzir o déficit na educação.
Garotinho disse que sua equipe está fazendo um estudo para levantar quantos servidores serão afastados. No total, entre ativos e inativos na administração direta estadual, são 450 mil funcionários e o gasto mensal é de R$ 467 milhões, segundo números de janeiro. O pedetista disse que está preocupado ainda em resolver o problema do excesso de despesas com inativos, que representam 44% da folha de pagamento. Ele cobrou uma solução do governo federal para a capitalização do RioPrevidência, fundo de previdência criado por ele.
"O que resolve aqui é o Rio Previdência e o governo federal precisa dizer o seguinte: ele vai liberar o dinheiro do empréstimo (R$ 4,2 bilhões) da Caixa ou vai ficar protegendo o Itaú?", disse Garotinho, referindo-se ao empréstimo concedido pelo governo federal na época da compra do Banerj pelo Itaú para cobrir o passivo previdenciário do banco.
Segundo ele, a liberação desses recursos, que estão depositados em duas contas na Caixa Econômica Federal (CEF), vai resolver o problema financeiro do Estado. Ele classificou de tímida a Medida Provisória que modifica os critérios de compensação das perdas com a Lei Kandir, que desonerou as exportações. "A MP é um avanço, mas muito pequeno". Garotinho disse que não adianta nada o governo federal ficar "enrolando" o Rio com "medidas que não levam a nada".
Garotinho e o presidente nacional do PDT, o ex-governador Leonel Brizola (PDT), jantaram ontem (18) à noite. Segundo o governador, as divergências internas não passam de "diferenças democráticas". "Não há racha nenhum no PDT, estamos unidos", disse Garotinho. Brizola, que recebeu o governador em sua residência, em Copacabana, zona sul, negou que o encontro tenha sido realizado com objetivo de discutir os boatos sobre o racha no PDT. "Foi uma visita de cortesia, racha é o que há no PSDB e no PFL."


