Rio, 15 (AE)- O governador Anthony Garotinho disse hoje, no Morro da Mangueira, na zona norte do Rio, ter informações de que os policiais civis acusados de matar o menino Alex Sandro dos Santos, de 14 anos, durante uma operação na favela, tinham ido lá para chantagear os traficantes e receber propina. "Tive informações de que eles vieram tomar dinheiro de traficante", afirmou o governador. "Não quero disso no meu governo, polícia é polícia e bandido é bandido". Garotinho subiu o morro para desculpar-se com a família do menino e a população do local, que havia fechado a via de acesso à favela na manhã de ontem (14) e entrado em confronto com a Polícia Militar.
O governador estava acompanhado do secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, do sub-secretário de Segurança, Luiz Eduardo Soares, e do sub-secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Ivanir dos Santos. A vice-governadora, Benedita da Silva, também esteve na favela, mas chegou quando o govenador já tinha ido embora.
"Foi uma operação ilegal, irresponsável e desastrosa", classificou o Garotinho. "Mesmo que o menino tivesse antecedentes criminais, isso não justifica a ação da Polícia Civil." Os moradores que testemunharam o assassinato do estudante pediram justiça ao governador. A dona da casa em frente a qual Alex Sandro foi morto, Geocy Donato, de 90 anos, entregou ao govenador fragmentos de balas que teriam sido disparadas pela polícia. Ela contou que, quando a polícia perseguia o estudante, ele bateu na sua porta pedindo ajuda, mas os policiais a ameaçaram, dizendo que ela também morreria se o socorresse. "Fiquei com medo e não pude fazer nada", contou.
O governador confirmou o afastamento do diretor da Metropol 1 (Praça Mauá, no centro do Rio), e dos sete policiais que participaram da operação. "Quem faz operação de repressão é a polícia militar", ressaltou Garotinho. "A polícia civil tem apenas o papel de investigar e não invadir morro." Ele acrescentou que também será investigado o policial que estava no helicóptero apontando uma metralhadora para a favela, quando a Polícia Militar tentava liberar a rua Visconde de Niterói, que fica em frente à quadra da escola de Samba. "O helicóptero foi autorizado para sobrevoar e orientar sobre o conflito e não para apontar armas, aumentando o pânico", criticou Garotinho.
Luiz Eduardo Soares informou que a delegacia provisória montada hoje, na Vila Olímpica da Mangueira, para ouvir os moradores - que estavam com medo de ir à delegacia do bairro - vai continuar funcionando e quem tomará os depoimentos será a subcomandante da Polícia Civil , Marta Rocha. Da Mangueira, Soares foi ao Morro da Coroa, no Centro, onde outro menino foi assassinado, na sexta-feira, durante uma batida da PM. Rodrigo Marques da Silva, de 15 anos, foi baleado quando jogava bola e será enterrado hoje.
Enterro- O corpo de Alex Sandro só foi liberado pelo Instituto Médico-Legal por volta das 11 horas de hoje, e levado para a quadra da Escola de Samba Mangueira. Nenhum dos irmãos do menino, que, segundo a polícia teriam ligação com o tráfico, apareceu no velório e a mãe dele, Solange dos Santos, que chorava muito, não quis falar com a imprensa.
Pouca gente compareceu ao velório e não houve mais tumulto no morro. O enterro está marcado para as 17 horas, no Cemitério do Caju.

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