Rio, 12 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje que não está pagando precatórios (dívidas arbitradas pela Justiça), porque, segundo ele, o Estado não tem recursos financeiros. Segundo ele, desde 1996, quando o Rio era administrado pelo seu antecessor, o tucano Marcello Alencar, o Estado não honra seus precatórios.
Para o pedetista, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), tem "toda razão" ao defender a suspensão do pagamento e a mudança imediata da legislação que permite a cobrança das dívidas judiciais em valores abusivos. "Se pagarmos os precatórios atrasados desde 1996, eu não terei nem dinheiro para depositar os salários do funcionalismo", disse Garotinho.
Ele cobrou do governo federal uma saída para o problema. "Não sei qual é a solução, mas quem vai ter de encontrá-la é o governo federal", declarou. Ao ser questionado sobre o montante devido, Garotinho disse que o volume de precatórios precisa ser atualizado.
"É praticamente incalculável", declarou. "O meu caso é diferente, por exemplo, de São Paulo, porque eu sei que o governador Mário Covas vem pagando desde a gestão passada", completou.
O governo fluminense recebeu da administração Marcello Alencar precatórios de R$ 446,1 milhões, referentes à soma dos pagamentos programados para 1996, 1997 e 1998 (atrasados) e aos orçados para quitação até 31 de dezembro de 1999. O valor deveria ser maior, mas uma auditoria concluída pelo Tribunal de Justiça identificou que, nos últimos quatro anos, foram cometidos erros de cálculos que poderiam ter elevado em R$ 312,7 milhões as dívidas com precatórios.

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