Rio, 17 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), elogiou hoje a iniciativa do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB) , de entrar na guerra fiscal "em defesa do seu Estado" e afirmou que já faz o mesmo. "Se eu fosse governador de São Paulo, faria a mesma coisa; já estou fazendo aqui no Rio", declarou o pedetista. Garotinho disse ser contra a disputa entre Estados para atrair empresas com incentivos fiscais, mas disse que, enquanto esse confronto existir, não vai "fazer papel de bobo". O pedetista acusou o governo federal de não tomar a iniciativa de acabar com o conflito.
"O ideal seria que fosse feita logo uma legislação acabando com isso", afirmou Garotinho. "Como o governo federal não resolve nada, você acha que um governador de Estado, de um Estado como São Paulo, vai ficar só assistindo às empresas irem embora de lá?" De acordo com o governador do Rio, o governador que agir dessa forma sofrerá cobranças da população. "Então, ele (Covas) que faça a parte dele, eu estou fazendo a minha", declarou. "Eu, se puder todo mês tirar uma empresa de outro Estado e trazer para o Rio..."
O pedetista deu como exemplo uma montadora de computadores que atraiu para o Estado. "Daqui a pouco estou assinando um convênio com uma empresa que está vindo para o Rio, que é a Casetek, de informática", contou. "Ela ficou entre Rio, São Paulo e Paraná; no final, eu falei: Não quero nem discutir, o que os outros derem, eu dou a mais, venham para o Rio de Janeiro." Garotinho afirmou que deu incentivos no pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e revelou que a prefeitura da cidade de Piraí cedeu o terreno onde será instalada a indústria, que fará placas-mãe, gabinetes e fontes de alimentação para PCs.
Para ir para Piraí, a empresa ganhará, como empréstimo, parte do ICMS que gerar (o Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio permite até 60% do valor), com prazo de carência de cinco anos e mais cinco para pagar, com juros abaixo dos de mercado. Piraí concedeu isenção de alguns tributos municipais e também forneceu a infra-estrutura do terreno. As obras para construção da fábrica -que vai se chamar Micro Star do Brasil e pertencerá a uma associação entre a Casetek, uma firma de Taiwan
e a Metalúrgica Barra do Piraí- começam em 1º de fevereiro e vão até dezembro.
A produção dos primeiros conjuntos, contudo, começa em abril
em um galpão já cedido pelo município de Piraí. Serão R$ 50 milhões em investimentos, com a criação de 1.200 empregos em quatro anos.

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