Garotinho diz que encaminhará informações sobre funcinários ao MP
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 05 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), declarou hoje em Buenos Aires que, até sexta-feira (07) receberá informações de parte do grupo de funcionários sobre os quais existem denúncias de corrupção. Garotinho disse que encaminhará as informações ao Ministério Público (MP). "Dependendo disso, os afastarei." Segundo Garotinho, se as denúncias não forem verdadeiras, "encaminharei ao ministério que os meios de comunicação que as publicaram sejam processados por calúnia". No entanto, o governador não descartou que, dependendo da gravidade dos casos, possa tomar a decisão de demitir alguém mesmo antes de retornar ao Rio, diretamente da capital argentina.
O governador fluminense, que estará até o sábado (08) em Buenos Aires, onde participa de uma série de encontros empresariais e políticos, acompanhado pela primeira-dama Rosângela, sustentou que, "se todo homem público que tenha um auxiliar denunciado encaminhasse o caso à Justiça, as denúncias chegariam a um bom termo de apuração". "Mas, no resto do Brasil, as pessoas não são demitidas, e a poeira toda é colocada sob o tapete .". O governador sustentou que se sente respaldado
uma vez que, segundo pesquisas de opinião pública, possuiria 74% de apoio no Rio, e de 80% no resto do Estado. A diferença que possui com os outros políticos, afirmou, "está no fato que eu ajo de acordo com minha consciência". Sobre suas próprias declarações sobre uma suposta "orquestração" proveniente do Planalto para desestabilizar seu governo, Garotinho preferiu o silêncio, afirmando que não daria os nomes dos envolvidos.
Em relação ao recente "escândalo das fitas", Garotinho afirmou que "essas fitas já foram objeto de julgamento pela Justiça em Campos, quando era proprietário de uma agência de publicidade. Na ocasião, meus adversários tentaram utilizá-las contra mim, e a Justiça as desqualificou".
O governador fluminense também referiu-se ao suposto atentado sofrido pelas filhas de Luiz Eduardo Soares, ex-coordenador da área de Segurança: "deixei esse assunto para a polícia. Não quero me envolver para não dar nenhuma característica de privilégio ou proteção para Soares".
O governador também relativizou a crise com o PT. Segundo ele, essa aliança partidária não está ainda em risco, e afirmou que "meu apoio à Benedita continua normal". Garotinho escapuliu de maiores comentários sobre o que seu partido aliado estaria planejando fazer sobre sua participação no governo estadual, afirmando que "nada sei sobre o PT".
No entanto, com tom conciliatório, Garotinho disse que o partido lhe apresentou uma lista de onze itens, "onde não se realiza nenhuma exigência", e onde pede "uma ampliação da presença do PT no Conselho Político do governo".
O governador destacou a importância da aliança do PDT e do PT afirmando que "a manutenção deste frente de oposições é importante para as eleições municipais do Rio. Senão, haverá um risco que as forças populares se dividam e avancem as forças consevradoras". À pergunta se desejava ser presidente da república, Garotinho não respondeu: sorriu, e afastou-se dos jornalistas. Mas após uns segundos, retornou e disse: "tenho todo o direito de sê-lo".
"O Rio de Janeiro tem que ser a capital do Mercosul!". A declaração do governador Garotinho durante o seminário "oportunidades de Negócios com o Estado do Rio de Janeiro" realizado na Embaixada do Brasil em Buenos Aires fez que os empresários argentinos presentes levantassem com ceticismo uma sombrancelha diante da pitoresca proposta. A supresa foi maior quando o governador enumerou os argumentos para que a "cidade maravilhosa" seja o centro de decisões do Cone Sul: "por seu passado histórico de ex-capital do Brasil, pela sua singularidade, e por ser a capital das telecomunicações e da alegria".
Um empresário nativo comentou ironicamente com o Estado: "se ele for eleito presidente, vai querer mudar a capital para o Rio outra vez?".


