Rio, 17 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse que não reconhece o resultado da reunião do diretório regional do partido que, na última sexta-feira, decidiu lançar candidato próprio à prefeitura do Rio. Defensor do apoio à candidatura da vice-governadora Benedita da Silva (PT), o pedetista afirmou que o encontro não foi convocado oficialmente com finalidade deliberativa e, no momento da votação, não tinha quórum para decidir. Por esses motivos, não considerou a decisão válida, e sua posição é de apoio à petista, conforme acordo feito por PDT e PT nas eleições de 1998, enfatizou.
"Desconheço que o PDT tenha tomado uma decisão oficial", afirmou. O governador declarou que, no auge da reunião, o número de presentes não chegava a 100 e que, quando se retirou, muitos o acompanharam. "Deixei um (o subsecretário de Governo, Beto Mattos), que votou contra e fez questão de verificar que não havia quórum", declarou. "Não houve votação, até porque a convocação não tratava desse assunto, era para discussão sobre as eleições municipais, não falava em deliberação nenhuma, e você não pode não pode deliberar nada oficialmente se não tiver uma publicação da convocação."
Segundo o acordo -cuja existência é defendida por Garotinho, mas negada pelo presidente nacional do PDT, Leonel Brizola-, o PT apoiaria o PDT na disputa pelo governo estadual e, em troca, os pedetistas sustentariam a candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva a presidente em 1998 e a de Benedita a prefeita do Rio em 2000. Garotinho ressaltou que o acerto não foi feito por ele e Benedita, mas pelos partidos, representados por Brizola, por Lula e pelo presidente do PT, José Dirceu. Na ocasião, o PT nacional interveio no estadual e cassou a candidatura de Vladimir Palmeira a governador.
O pedetista contou ter dito na reunião que a única saída para o problema é política. "Isso tem que ser desfeito por quem fez, que não pode dizer que não houve acordo", afirmou. Para o governador, na reunião do diretório não houve deliberação, mas apenas uma "orientação". Ele não quis adiantar qual será a sua posição caso o PDT insista em lançar candidato próprio. Rebateu, porém, ataques que tem sofrido de Brizola, que chegou a acusá-lo de mentiroso e de tentar apoiar o PMDB.
"A opinião pública está percebendo o que está ocorrendo", disse ele. "Dizer que não houve o acordo é querer fazer a opinião pública de boba; ela não é boba, ela sabe." O governador disse que já avisou a Dirceu que sua posição no assunto não mudou.
Resposta - Brizola respondeu a Garotinho comparando-o com o ex-governador Marcello Alencar (que deixou o PDT após brigar com ele) e considerou ridícula a alegação da falta de quórum para não aceitar o resultado da reunião do diretório. "O partido, para ter candidatos próprios, nem precisa de reunião especial, apenas da convenção nos prazos legais", disse. "É preciso deliberação específica, sim, para decidir apoiar candidatos de outros partidos. Segundo ele, se o problema é de reunião, o PDT pode fazer "uma, duas, até dez" encontros, nos quais, garantiu
Garotinho verificará que a opinião "maciça" do PDT é por candidatura própria.

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