Garotinho diz que crítica de Covas é equivocada
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 10 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), considerou "equivocada" a crítica do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), ao movimento da oposição para a renegociação das dívidas dos Estados com a União. Na avaliação de Covas, governadores "oscilam entre pagar a não pagar as dívidas". "Os governadores estão, ao contrário, demonstrando que querem pagar", rebateu o pedetista. Mesmo depois das críticas de Covas
Garotinho ainda acredita que ele possa ser um aliado nas negociações com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "É claro que Covas pode ajudar", disse Garotinho. Ele, no entanto, não demonstrou disposição em convidar o governador de São Paulo a participar das articulações.
O pedetista confirmou hoje ter sido convidado para um jantar com Fernando Henrique na noite de ontem (09), quando esteve em Brasília. Alegando a interlocutores de Fernando Henrique que "está de regime", Garotinho esquivou-se mais uma vez de uma conversa isolada com o presidente. No início da semana, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, tentou marcar um encontro entre Garotinho e o presidente.
O pedetista defende a discussão conjunta entre Fernando Henrique e os 27 governadores. Mas discorda da proposta de seu colega, o governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, de acabar com a frente de governadores de oposição. "Eu entendo que a questão dos Estados é de todos, agora não vamos dizer que o fórum deve ser extinto, porque, no momento oportuno, podemos nos reunir". "Os aliados também podem fazer as suas reuniões", completou. Ele disse ter a certeza de que vai conseguir vencer as resistências do governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), para, ao mesmo tempo em que participa do fórum de oposição, abrir espaço para estar com Fernando Henrique a fim de discutir os problemas dos Estados. "Ele vai cumprimentar o Fernando Henrique, isso tudo passa."
Sobre as saídas estudadas por técnicos do governo para compensar os Estados pelas perdas em arrecadação com a Lei Kandir (que desonerou as exportações), Garotinho afirmou que a proposta já é um "avanço" resultante do movimento da oposição. "Mas nós não podemos ficar só com remedinhos", declarou. O governo está estudando liberar de forma adicional cerca de R$ 2 bilhões em consequência de mudanças na Lei Kandir. Para o pedetista, a idéia é um "avanço", mas deve vir com a repactuação das dívidas.
PSDB - Ele voltou a acusar os governos passados aliados ao presidente de "responsáveis" pelo desequilíbrio financeiro de vários Estados. Segundo ele, o ex-governador do Rio Marcello Alencar (PSDB) permitiu a realização de um contrato na privatização do Metrô - arrematado pelo consórcio Opportrans (formado pelo Opportunity e Cometrans) - que prevê o não pagamento de parcelas caso o Estado deixe de cumprir determinados itens do acordo assinado no prazo de 30 dias. Segundo o pedetista, em razão da cláusula, quatro parcelas deixaram de ser pagas, somando R$ 4 milhões.
O governador disse que o Estado ainda arca com o pagamento dos salários de dez mil funcionários do Metrô e da Flumitrens, empresas que foram privatizadas durante a gestão de Marcello Alencar. Por ano, ele afirmou que o Estado perde R$ 143 milhões com os custos dos salários. "O Estado não tem mais trem e metrô
mas ainda tem pagar os salários." Ele vai se reunir amanhã (11) com a direção da empresa para discutir o problema.


