O governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), disse ontem que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tentou articular no fim do ano passado a formação de um ‘‘sindicato do crime’’.
Segundo Garotinho, a organização reuniria todos os grandes traficantes do Rio e de outros Estados brasileiros. O grupo seria liderado por Beira-Mar, que, da Colômbia, onde estava escondido até ser preso no último dia 21, passaria a ser o único responsável pelo fornecimento da cocaína para Rio, São Paulo e Estados do Nordeste.
O governador explicou que o plano do traficante carioca foi descoberto em dezembro do ano passado, graças ao rastreamento de ligações telefônicas feitas pela polícia carioca entre ele e seus comparsas no Rio. Pela investigação, a polícia conseguiu descobrir ainda toda a estrutura de ação de Beira-Mar, que, segundo contou o governador, detinha seis mil pontos de venda de drogas espalhados pelo País. O rastreamento telefônico permitiu levantar o patrimônio do traficante que chegaria a 100 milhões de dólares. -
‘‘Primeiramente, quem se opôs ao plano de montar o sindicato do crime foi o Denis da Rocinha, que acabou morrendo dentro de um presídio a mando dele’’, contou Garotinho, referindo-se ao traficante Denis Leandro da Silva, enforcado em sua cela no presídio de segurança máxima Bangu 1, no dia 8 de janeiro.
‘‘Esse plano era tão grande e ousado, o que me faz crer que ele provavelmente aprendeu esse tipo de coisa na Colômbia, que entre suas propostas estava uma trégua na disputa por pontos de venda de drogas entre as quadrilhas no Rio e nos demais Estados da federação’’, explicou. Segundo o governador, Beira-Mar imporia seu plano à força.

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