Garotinho deve formar em reunião dissidência do PDT
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 08 (AE) - O comando nacional do PDT avalia que o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), deverá formalizar, na reunião que convocou para discutir a "democratização" do partido, uma dissidência que poderá ser o primeiro passo para deixar a legenda. Hoje, Garotinho negou que vá sair do PDT, mas criticou o que considera falta de democracia do partido e sinalizou que poderá mesmo formar uma dissidência.
"Diversas pessoas, entre elas eu, estão cansadas", disse, depois de acusar o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, de dirigir o partido de forma "imperial".
Dirigentes pedetistas esperam que o grupo do governador anuncie a formação como ala dissidente, com a constituição de um "partido paralelo", possivelmente com estrutura própria e núcleos.
Originalmente marcado para a sexta-feira (11), quando o diretório do PDT oficializará a decisão de ter candidato próprio à prefeitura do Rio (posição que Garotinho combate), o encontro convocado pelo governador foi transferido para domingo (13) e poderá virar confronto. Integrantes da ala brizolista anunciaram que vão à reunião.
Garotinho afirmou que a questão não é apenas a divergência em torno da prefeitura do Rio - ele defende o apoio à candidatura da vice-governadora Benedita da Silva (PT). "A base partidária não vota", disse o governador, que acusou a direção do PDT de ser facciosa. "Quem vota é o diretório, um cartório, e estamos cansados de servir a esse cartório." Ele acusou o diretório regional pedetista de protelar a formação do diretório da capital e adiantou que esse será um dos assuntos do encontro de domingo, assim como a constituição de núcleos do partido por categoria e bairros.
O governador também reclamou dos ataques que tem sofrido de Brizola, que o comparou ao ditador fascista italiano Benito Mussolini. "Eu, particularmente, que resolvi desafiar essa forma autoritária com que o partido vem sendo conduzido, venho suportando em silêncio, ao longo de um ano da minha administração, críticas que nem os meus adversários fazem." Ele não aceitou a proposta do deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), segundo a qual apoiaria a candidatura de Brizola a prefeito, e o presidente nacional da legenda apoiaria a sua -candidatura dele a presidente em 2002. "Não estamos discutindo isso", disse.
Um dos organizadores do encontro de domingo, o secretário estadual da Criança e do Adolescente, Fernando William, defendeu a aprovação, na reunião, de um manifesto com as reivindicações à cúpula nacional do PDT. A reunião, segundo ele, está sendo convocada por pedetistas "preocupados com o andar da carruagem", que querem evitar que o partido se divida e o governador o deixe. "Um dos entendimentos que temos é que o partido tem perdido oportunidades de crescer porque não tem sabido lidar com as divergências", disse. Ele esclareceu que o encontro será aberto a "todos os militantes do PDT".
Em viagem ao Uruguai, Brizola não se manifestou publicamente hoje sobre a crise, mas um dos seguidores dele, o secretário de Governo do Estado do Rio, Carlos Lupi, assumiu o papel de porta-voz dos brizolistas. "Acho estranho que o governador Garotinho tenha levado 17 anos (tempo da militância no PDT) para descobrir que o partido é antidemocrático", afirmou Lupi. "Então, só é democrático quando é aquilo que eu quero?" Ele lembrou que o Diretório Regional do PDT, atacado por Garotinho, tem, entre os 250 integrantes, mais de 80 membros do governo estadual.
"O que separa a democracia de conveniência do totalitarismo é um fio de cabelo", acusou. Lupi disse que também está convocando os pedetistas a comparecer à reunião de domingo. "Se o governador quiser, vou lá com a lista de filiados, para saber quantos vêm de Campos (terra natal de Garotinho), quantos são evangélicos (religião do governador)", provocou. Secretário do governador, Lupi disse que quer testar até onde vai a democracia de Garotinho. "Será que ele é tão democrata a ponto de manter um auxiliar que discorda dele?"


