Rio, 13 (AE) - Dois dias após o rompimento do PT com o governo fluminense, o governador Anthony Garotinho (PDT) deixou claro hoje que não existe mais o acordo feito com o PT em 1998, segundo o qual os pedetistas apoiariam a vice-governadora Benedita da Silva (PT) na disputa pela prefeitura em 2000. "Isso (o apoio à petista) é assunto superado", afirmou o pedetista. "O PT saiu do governo, então, só haverá essa possibilidade se houver uma (outra) aliança PT-PDT." Na véspera
Benedita voltara a se mostrar interessada no apoio pedetista. Hoje, Garotinho anunciou quatro substitutos para secretários que saíram do governo.
O acordo PT-PDT levou a direção nacional do PT a, em 1998, intervir na seção fluminense para cassar a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do Rio. O fim do acerto fortalece a pré-candidatura a prefeito do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, que repetiu ser candidato "potencial".
A declaração de Garotinho é uma mudança em relação a sua posição anterior, quando afirmava que havia um acerto para apoiar Benedita. Brizola insistia que isso era apenas uma intenção, não oficializada pelas duas legendas em um documento formal. O governador afirmou que a candidatura do PDT "é uma discussão até a convenção".
"Se (a eleição) tiver significação política, o Leonel Brizola estará no páreo", afirmou, deixando claros os seus objetivos. "Quem derrubou o neoliberalismo na Argentina? Foi o prefeito de Buenos Aires (hoje, presidente Fernando de la Rúa)."
O presidente regional do PDT, Carlos Lupi, disse que a candidatura de Brizola é praticamente uma unanimidade no partido. "Brizola não conseguirá deixar de ser candidato", disse. Lupi afirmou que o partido quer ter uma ampla aliança de centro-esquerda.
Benedita não quis comentar as declarações do governador, mas disse que será responsabilidade do PT reconstruir a aliança. "Não vão transformar uma vitória (nas prévias em que foi escolhida candidata pelos filiados ao partido) em derrota", disse. Ela prometeu procurar Brizola assim que as coisas se acalmarem
Hoje, pela terceira vez nesta semana, o conselho político do PDT se reuniu na sede nacional do partido com o governador para discutir mudanças no governo estadual. O ambiente entre os pedetistas era de euforia com a saída do PT e a definitiva "pedetização" da administração. Garotinho submeteu aos dirigentes da legenda alguns nomes para o secretariado, na reforma reivindicada por Brizola. "A decisão final pertence ao governador", disse o presidente do PDT. "No que diz respeito ao partido, a decisão é do PDT." Garotinho afirmou que pretendia recompor as forças que apóiam o seu governo, cuja base agora é oficialmente formada por PDT, PC do B
PSB e PV. "Há uma troca, o PDT também pode sugerir nomes para análise", explicou. Ele não revelou os indicados para ser os novos secretários.
Para o início da noite, estava programada reunião do conselho político com o governador, dessa vez, com a bancada federal, para anunciar os novos secretários. No início da tarde, o governador adiantou os nomes de alguns: a primeira-dama do Estado, Rosângela Matheus, será a nova secretária de Ação Social e Cidadania; Luiz Alfredo Salomão, secretário de Transportes; Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, assumirá Esporte e Lazer, área que perdeu o status de secretaria; e a de Planejamento foi fundida com a de Desenvolvimento Econômico, de Tito Ryff.

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