Rio, 27 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), aprofundou hoje a crise na frente das esquerdas que o elegeu, ao desautorizar publicamente o presidente nacional do partido, Leonel Brizola, a negociar com o PT uma saída para a crise e vetar a volta à administração dos petistas que exonerara. Garotinho também rejeitou a proposta de constituição, pelos partidos que o apóiam, de um conselho político com poder para influenciar o trabalho dele no Executivo e disse que o novo presidente do PT fluminense, Carlos Santana, teve uma postura indigna ao criticar o governo.
Santana acertara ontem (26) com Brizola a realização de uma reunião da frente na próxima semana para discutir a crise, aberta pela decisão dos petistas de entregar os cargos em resposta a ataques do pedetista, que chamara o PT de "Partido da Boquinha", por, supostamente, querer mais cargos públicos.
Após o encontro, Brizola criticou Garotinho, acusando-o de não ouvir os partidos e atacando o governo por promover operações em favelas sem acompanhamento do Ministério Público (MP), reprimir uma greve com violência e ter na administração elementos "estranhos", como o secretário da Justiça, Sérgio Zveiter.
"Que eu saiba, ninguém tem procuração para falar em nome do governador do Estado", afirmou, ao comentar a reunião de Brizola e Santana.
Segundo ele, o encontro de ontem não serviu para resolver a questão. Quando um repórter lhe disse que, de certa maneira, estava desautorizando Brizola, Garotinho foi duro. "De certa maneira não, estou desautorizando mesmo, não é de certa maneira não", afirmou. O governador afirmou que Brizola "não pode e não deve" dar palpites no governo. "Quando o Brizola era governador, por acaso, convocou-nos, convocou alguém, para dar opiniões no governo dele?", perguntou.
Garotinho negou que estivesse acenando com a possibilidade de um rompimento com Brizola. "Absolutamente, acho que as questões políticas eu converso com ele, tenho o maior prazer, ele é nossa liderança política", disse. "Agora, eu sou o governador do Estado." O governador deixou bem clara a distinção que faz entre o governo estadual e a aliança que o apóia, que, na opinião dele, não se misturam, e acusou Santana de chantagem, ao ameaçar sair do governo.
"Olha, eu não sou namorada do Carlos Santana para ele ficar dizendo: Eu vou embora, se você não me der um beijinho...", ironizou.
A possível volta ao governo dos petistas que foram demitidos a partir de segunda-feira (25), admitida ontem (26) por Santana, é impossível, segundo Garotinho. "O PT que saiu não tem volta", afirmou o governador. "O PT que ficou se sinta à vontade no meu governo; esse PT sempre foi correto comigo." O pedetista afirmou que combinou com a vice-governadora Benedita da Silva (PT) e o secretário do Planejamento, Jorge Bittar, que os integrantes da Articulação, grupo petista a que pertencem, entregarão os cargos e recorrerão à direção nacional.
"Enquanto estão recorrendo, ficam no governo", disse o governador. Garotinho afirmou ser favorável a criar um conselho político "para discutir política" (sem atribuição administrativa) e disse que ainda não foi criado por causa de divergências entre os partidos. "O governador Brizola quer candidato próprio à prefeitura do Rio; eu sou a favor de que haja o acordo feito com o PT para apoiar Benedita da Silva." Garotinho recordou que "uma parte do PT quer a candidatura de Benedita", mas quem ganhou a última convenção foram grupos contrários à vice-governadora, enquanto o PSB quer ter candidato próprio, e o PC do B não sabe o que vai fazer.
"Vai criar conselho político para que?", perguntou. "Já perdi tempo demais com picuinhas, com fofocas e com boquinhas; chega!; deixem-me trabalhar."

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