Garotinho demite petistas ligados a Santana
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 25 (AE) - Todos os petistas ligados ao novo presidente regional do partido, deputado Carlos Santana (RJ), que ocupavam cargos no governo estadual foram dispensados hoje de manhã pelo governador Anthony Garotinho (PDT) antes que se demitissem. A medida foi uma resposta do governador ao 18.º Encontro Estadual do PT que, na véspera, decidira entregar ao governador seus cargos na administração pedetista. Com a decisão - uma derrota da corrente Articulação, de Luiz Inácio Lula da Silva -, os petistas protestaram contra Garotinho por chamar o PT de PB, "Partido da Boquinha", por supostamente só querer cargos públicos.
"Para mostrar ao deputado Carlos Santana que aqui no Rio tem governo, não vou esperar as cartas de demissão; já foram todos demitidos", declarou Garotinho. Ele lamentou a saída do secretário de Transportes, Raul de Bonis, um técnico indicado por Santana, mas disse que em seu governo vai ficar "quem quiser trabalhar". O governador afirmou que, em conversa telefônica hoje com o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), esclareceu que os jornais disseram a verdade quando lhe atribuíram declarações em que apontou "setores fisiológicos" na legenda, aos quais Santana seria ligado.
Garotinho disse que não poderia aceitar o que chamou de "dubiedade" do deputado, que pretendia ficar bem com a opinião pública, com setores que o apóiam no PT e com o governo. "Ou seja, publicamente, dizia: nós entregamos os cargos, e aí o governador decide." Segundo Garotinho, Santana preside apenas "um pedaço" do PT. "Acho que estou prestando um serviço com o que eu quis mostrar à convenção do PT e à opinião pública; mostrar que não existe o PT, existem os PTs", atacou. O pedetista afirmou que não deixará que a crise de nenhum partido influencie o governo.
"Não posso viver nesse dilema, entre um PT que me ama e outro que me odeia", afirmou. "Isso é um dilema freudiano; eu tenho de administrar o Estado, então, fico com PT que me ama; o PT que me odeia que vá cuidar da vida dele."
Santana anunciou que pedirá audiência a Garotinho ainda esta semana para entregar a ele um documento em que o partido devolve os postos que ocupava na administração pública. A resolução, aprovada no domingo, inclui todos os cargos de confiança, até as secretarias do Planejamento (ocupada por Jorge Bittar), Trabalho (de Gilberto Palmares), e Ação Social (de Antônio Pitanga). Os três, ligados à Articulação, foram contrários à proposta, aprovada em consequência de um acordo entre o grupo de Santana, o Opção Popular, uma corrente aliada, o Campo de Ação Popular, e o Refazendo, mais radical.
"A partir deste momento (em que for entregue o documento), a relação com o governador será feita por intermédio do diretório regional", afirmou o parlamentar. Santana esclareceu que, se o governador não quiser recebê-los, o ofício de entrega dos cargos será protocolado no governo estadual. Essa formalidade é importante porque, a partir daí, a resolução começará a vigorar para efeito de punições contra os petistas que a desobedecerem. Se houver desobediência, o caso será encaminhado às instâncias partidárias. Os desobedientes poderão ter seus direitos partidários suspensos.
O deputado disse ter conversadou hoje com Dirceu, com o líder do PT na Câmara, José Genoíno, e com o secretário-geral do partido, deputado Arlindo Chinaglia. De acordo com Santana, todos se solidarizaram com o PT do Rio. "O Chinaglia disse que vai propor ao José Dirceu que a frente das esquerdas discuta nacionalmente o problema."
O parlamentar reúne-se às 11 horas desta terça-feira com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. Será o primeiro de uma série de encontros com partidos de esquerda. Brizola conversou com Santana por telefone ainda na noite de domingo, logo após a decisão do partido de entregar os cargos. Ele pediu ao deputado que evite que problemas com o governo influenciem a relação dos petistas com o PDT.


