Brasília, 08 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), propôs que os partidos de esquerda conversem com o pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes, do PPS, pensando na união de forças políticas de centro-esquerda para as eleições presidenciais de 2002. "Precisamos conversar com ele para saber realmente quais são suas idéias", disse Garotinho ontem (07) à noite antes de deixar Brasília, onde acompanhou a aprovação do acordo de refinanciamento da dívida do Rio com a União, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Potencial candidato na disputa para a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, Garotinho disse que as legendas de esquerda não podem cometer o mesmo erro da eleição de 1994. "Precisamos aprender as lições da disputa de 1994 para que ninguém diga depois que alianças de direita foram feitas por causa da recusa da esquerda em fazer acordos", declarou o pedetista, referindo-se à coligação feita por Fernando Henrique com o PFL.
Segundo ele, os partidos que compõem a frente das esquerdas (PT, PDT, PC do B e PCB) não podem assumir a linha de isolamento. "É preciso debater propostas com Ciro", disse. "Sei, de forma genérica, e, por sinal, discordo, sobre a proposta apresentada por Ciro e pelo Mangabeira Unger (cientista político filiado ao PPS) sobre o alongamento compulsório da dívida pública. Se for realmente isso, ele está defendendo a moratória. Mas é preciso que isso fique mais claro. A gente já tem alguma idéia sobre propostas de Ciro Gomes, mas não conhecemos todas."
Garotinho não quer falar em apoio a candidaturas, porque considera que as eleições municipais do próximo ano serão um marco decisório para as coligações de 2002. Sua cautela também deve-se ao fato de ser um potencial candidato à Presidência da República. O pedetista, que tem enfrentado embates políticos com o presidente de seu partido, o ex-governador Leonel Brizola, tem sido assediado pelo PMDB, partido que sinaliza para a possibilidade de lançá-lo candidato à Presidência.
Sobre essa possibilidade, Garotinho desconversa. "Isso não procede". Ao falar sobre seu relacionamento com o líder de seu partido, Garotinho prefere ser otimista. "Estamos em fase de reconciliação", disse. "Não existe aquela idéia de que depois de brigas, o relacionamento melhora? Pois é, esse é o nosso caso."

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