Rio, 28 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), acusou hoje policiais civis e militares pelo aumento de roubos e furtos de veículos no Estado. Em quatro meses de governo, foram registrados 15.755 casos. Em 1998, no mesmo período, durante a gestão do tucano Marcello Alencar, esse número foi de 13.559 e, em 97, 12.808. "Aumentou (o roubo e furto de veículos) porque aumentou o número de policiais envolvidos com ferros-velhos no governo anterior", afirmou Garotinho. "Por de trás de todo o ferro-velho tem um policial civil ou militar."
Segundo o governador, toda a operação sigilosa montada pela polícia para fechar ferros-velhos - destino final de muitos dos carros roubados no Rio - quase sempre acaba vazando porque os donos dos estabelecimentos são avisados antes. Garotinho disse que a falta de um mapeamento das quadrilhas que atuam no Rio também incrementa as estatísticas de roubos e furtos de veículos e de outros crimes. "Sem esse mapeamento, você fica perdido."
O governador disse que esse levantamento já está sendo realizado por sua equipe. No dia último dia 7, o secretário de segurança, coronel Josias Quintal, anunciou a criação de um sistema de controle desse tipo de crime que funcionará diretamente ligado aos comandos de operações das polícias Civil e Militar. "A política de segurança do Rio é pra valer, mas os resultados só poderão ser vistos daqui a dois anos, quando os índices irão cair", disse. "Eu aposto que vou chegar ao fim do governo com todos os índices de criminalidade abaixo da metade do atual."
O subsecretário de Operações da Secretaria de Segurança, delegado Marcos Reimão, discorda de Garotinho. Para ele, o aumento dos roubos e furtos de carros nos quatro primeiros meses desse ano deve-se não apenas ao envolvimento de policiais com ferros-velhos, mas a um "conjunto de fatores". "Existe o envolvimento de policiais e ex-policiais, sim, mas também há o fato de a maioria dos criminosos de hoje - sequestradores e assaltantes de banco - usar veículos motorizados para praticar seus crimes, além das quadrilhas que fraudam seguros de veículos", disse.
Reimão estima que existam cerca de 2 mil ferros-velhos, entre legalizados e clandestinos, em atividade no Estado. Desde o início do ano, foram fechados 12. O último, em Costa Barros, zona norte, estourado no dia 7, pertencia ao subtenente reformado da Aeronáutica Aloisio Guimarães Gouveia, de 60 anos, que foi preso. Durante a operação foram encontrados cinco carros roubados, uma moto CB 400, uma escopeta calibre 12 em nome de um policial, várias peças de lataria e mecânica, além de 23 placas de automóveis frias. O estabelecimento funcionava há sete anos.

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