Garotinho culpa equipe econômica por impasse sobre dívida
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 20 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), responsabilizou hoje a equipe econômica do governo federal, em especial o ministro da Fazenda, Pedro Malan, pelo novo impasse a que chegou a renegociação dos débitos do Estado com a União.
O pedetista acusou Malan de, apesar da disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso para negociar, não querer atender à última reivindicação do Estado: a liberação, para outros fins, de um empréstimo de R$ 3 bilhões da União, originalmente destinado a cobrir o rombo do fundo de pensão do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj). A assinatura do novo contrato da dívida, de R$ 25 bilhões, continua sem data.
"No andar de cima do Palácio do Planalto, tudo vai bem, mas, do segundo para baixo, a coisa é muito complicada", ironizou o governador.
"Você conversa com o presidente, e parece que vai acontecer tudo, mas, quando entra a equipe econômica, a coisa complica-se demais." Garotinho reclamou que Malan, com quem conversou ontem (19), lhe dissera que tinha uma boa informação para dar, mas "não tinha notícia nenhuma". O governador disse que não estará amanhã (21) em Brasília para a nova discussão sobre a dívida e afirmou que "ainda não decidiu" se vai ao encontro de sexta-feira (22) de Fernando Henrique com os governadores.
O dinheiro a que Garotinho se referiu foi emprestado em 1997 e está numa conta à qual o Estado não tem acesso. Só pode pagar benefícios dos aposentados e pensionistas do Banerj, privatizado há três anos. O governo estadual só autoriza o pagamento dos associados do Previ-Banerj, caixa de previdência do banco, mas não pode o usar para outros fins. O empréstimo garante que o dono do Banerj (o Itaú) não precise cobrir o rombo nas reservas. O Estado, porém, quer incorporar o dinheiro ao RioPrevidência, fundo de todo funcionalismo estadual, mas o Itaú e a União não aceitam.
"O ministro Malan diz: Reconheço que o dinheiro é seu, você paga juros sobre ele, está na sua conta, mas você não pode usar", contou o governador, demonstrando irritação com a situação. "Então, eu falei para ele: Está bom, ministro, então vamos agora criar o seu salário virtual: todo mês o presidente Fernando Henrique lhe paga, põe o dinheiro na sua conta, mas o sr. não pode usar."


