Rio, 05 (EA) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), criticou a equipe econômica do governo federal, em discurso sobre a indústria naval, na posse da nova direção do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, em São Cristóvão, na zona norte. Garotinho afirmou que os "burocratas que se enfiaram no ministério da Economia" são insensíveis para problemas sociais, e acusou o governo de ter uma "posição dúbia" em relação à política de navegação.
No discurso que fez no evento, Garotinho reclamou que o desemprego provocado pela falta de encomendas para as empresas navais, quando a Petrobrás contrata navios e equipamentos marítimos no Exterior, é ignorado nos cálculos econômicos do governo. "As 5 mil, 6 mil famílias em dificuldade, isso não entra na planilha de custo", atacou o governador. "A equipe econômica do governo raciocina friamente, sem se dar conta dos custos sociais. Por que abrimos tudo de lá para cá, e eles não abrem nada de cá para lá?"
Ele isentou o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, que estava ao seu lado, de responsabilidade por essa política. "O ministro foi um dos poucos a se levantar contra a panelinha da Organização Mundial do Comércio (OMC)", elogiou.
Segundo o governador, o governo federal declara apoio ao setor de navegação, mas, na prática, o prejudica quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nega financiamento e a Petrobrás não faz encomendas para as empresas da área, localizadas no estado. "É preciso que se siga o preceito bíblico: sim é sim, não é não", atacou. "Na frente, está todo mundo a favor, mas depois, quando as cortinas se fecham, é que começa o espetáculo", criticou.
Garotinho pediu a Dornelles para realizar um fórum para tratar dos problemas do setor, medida que ele adotou para conseguir formar o Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro. "Desde 1986, se falava em um Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro, e o raio do pólo não saía", contou. "Fizemos um fórum, e agora, no ano que vem, começa o pólo."
O pólo, que teve a composição acionária montada no fim do governo Marcello Alencar, tem início de operação previsto para 2003. Na saída da solenidade de posse, Dornelles defendeu o BNDES e a Petrobrás. O banco, lembrou, só pode emprestar mediante garantias. Segundo o ministro, a Petrobrás, por sua natureza de empresa com capital negociado em bolsa, tem de buscar sempre os melhores preços para suas compras. "Como ela vai dizer aos acionistas que vai comprar aqui, se pode comprar mais barato?", argumentou.

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