Rio, 22 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), reuniu-se hoje com a secretária de Administração Federal, Claudia Costin, e confirmou que vai reduzir em 30% as despesas com pessoal na administração direta. Na próxima quinta-feira, ele baixará normas administrativas para a redução de R$ 50,5 milhões para cerca de R$ 20 milhões as despesas com prestadores de serviços e contratos de pessoal por meio de empresas terceirizadas.
Garotinho também estuda colocar em disponibilidade servidores do Estado e demitir funcionários ociosos. Na área de custeio, Garotinho quer reduzir as despesas do patamar de R$ 158 milhões - onde estão incluídos os gastos com prestadores de serviços e contratos terceirizados de pessoal - para R$ 50 milhões até o mês julho. Hoje ele descreveu a situação financeira do Estado como "dramática" para Claudia Costin.
"Vou estabelecer uma economia de guerra", afirmou o pedetista. O Estado tem uma arrecadação de cerca de R$ 500 milhões e uma despesa com a folha de pagamento de R$ 410 milões. "Somando o custeio, dívida e repasses, tenho um déficit mensal de R$ 168 milhões". Garotinho apresentou à secretária um relatório sobre os gastos com custeio e com a folha de pagamento e pediu apoio para a transferência de R$ 4,2 bilhões - recursos de um empréstimo para cobrir o passivo previdenciário e trabalhista do antigo Banerj, arrematado em 1997 pelo Itaú em leilão de privatização - para o caixa do Rio-Previdência, fundo previdenciário criado por ele recentemente.
O pedetista também mostrou uma situação considerada por ele "vergonhosa" no caso do contrato de privatização firmado com o consórcio Supervia, que administra atualmente a Flumitrens, empresa de transportes urbanos privatizada.
Segundo o contrato, o Estado tem de arcar os custos com o passivo trabalhista da empresa. "Toda a vez que a Supervia demitir, o Estado tem de pagar os direitos do funcionário", disse Garotinho.
Para o governador, apesar de a Flumitrens ter sido desestatizada, o Estado tem de gastar R$ 4,4 milhões por mês em razão do pagamento dos salários de 3.214 funcionários da empresa. Garotinho disse que o Estado também assumiu as despesas com pessoal do Metrô, também privatizado. De acordo com ele, também haverá redução de pessoal nessas duas áreas.
O governador embarcou hoje para Brasília para participar de uma reunião com o ministro da Previência, Waldeck Ornélas, e governadores que compõem a comissão sobre fundos previdenciários estaduais. Ele deve tentar sensibilizar o ministro para a liberação dos R$ 4,2 bilhões, que estão depositados na Caixa Econômica Federal (CEF).
JUSTICA - Garotinho apóia a proposta defendida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, de criação de um órgão nacional de controle do Poder Judiciário com vistas à redução de gastos da Justiça em todo o Brasil. Ele, no entanto, não disse como seria a fiscalização da Justiça na esfera estadual.

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