Rio, 05 (AE) - Irritado com a oposição de parlamentares petistas a projetos de lei do executivo, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), cobrou do PT, partido de sua base aliada, que não "esqueça" que agora é integrante do governo fluminense. Ontem (04), ele ligou para o líder do partido na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Carlos Minc, para reclamar fidelidade ao programa de sua administração e aos projetos de lei encaminhados na última quarta-feira para a Alerj.
"A gente é governo, mas não é governista", respondeu hoje o vice-líder do PT, deputado Chico Alencar, da ala radical do partido. Já na primeira semana de tramitação dos projetos de lei de ajuste fiscal no Estado, Garotinho encontrou oposição e críticas dos partidos aliados, PT, PSB, PC do B e PCB. O PT acusa Garotinho de estabelecer a tática do rolo compressor usada pelo ex-governador Marcello Alencar (PSDB) e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Congresso.
PT e PSB, partidos da base aliada do governador Anthony Garotinho (PDT), criaram amarras em duas emendas ao projeto de lei que determina a criação de um fundo de previdência para impedir aumento da alíquota da contribuição previdenciária dos servidores ativos. A elevação da taxa de contribuição foi admitida recentemente por Garotinho em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Educativa.
A proposta do fundo de previdência sofreu 66 emendas, das quais 11 são do PT, e deve ir à votação somente na próxima terça-feira. Os parlamentares dos partidos de esquerda cobram de Garotinho maiores explicações sobre os projetos de lei para, então, votá-los. Eles acusam o governador de não organizar discussões com parlamentares aliados para fornecer informações sobre as propostas e apresentar o quadro financeiro do Estado.
O PDT, partido do governador, também está em pé-de-guerra. A deputada Cidinha Campos (PDT) criticou a postura de Garotinho diante de seus acordos para a composição da mesa diretora e das comissões permanentes na assembléia. Ela queria presidir a comissão de orçamento da Alerj, que terá como função, entre outras, apreciar as contas da administração do tucano Marcello Alencar. O cargo acabou ficando para o também tucano Paulo Melo.
Nesse quadro de discórdia na assembléia, o governo enfrenta uma situação inusitada. Enquanto se indispõe com parlamentares de esquerda, inclusive com os de seu partido, Garotinho tem encontrado apoio para seus projetos de parlamentares que eram aliados ao tucano Marcello Alencar, entre eles o presidente da assembléia, deputado Sérgio Cabral Filho (PSDB), o líder do PSDB na Alerj, deputado Paulo Melo, e o deputado Jorge Picciani (PMDB).

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