Rio, 09 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), cobrou hoje do governo federal que seja "mais flexível" na renegociação da dívida do Rio com a União, de forma a dar condições semelhantes às que foram acertadas com governo de Santa Catarina, que fechou um acordo para a federalização da dívida previdenciária do Estado. "Eu disse ao ministro Malan (ministro da Fazenda, Pedro Malan) que, se o governo pode ter um gesto tão amigável com o governo de Santa Catarina, é possível que ele seja mais flexível com o Rio", afirmou Garotinho, ao deixar a sede do Ministério da Fazenda no Rio, depois de um encontro com Malan e o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbtersztajn, para discutir detalhes da renegociação da dívida.
A declaração de Garotinho foi feita em referência ao acordo fechado entre Santa Catarina e o governo federal para a União assumir uma dívida de aproximadamente R$ 570 milhões do Instituto de Previdência de Santa Catarina (Ipesc). O governador deixou a reunião no ministério insatisfeito com um dos pontos do acordo da dívida: o montante da antecipação dos royalties do petróleo dos próximos 20 anos.
Segundo cálculos do governo fluminense, o Rio receberia cerca de R$ 18 bilhões por conta dos royalties dos próximos 20 anos, dinheiro a ser usado no abatimento da dívida.
O problema é que, de acordo com a estimativa feita pela ANP, a antecipação dos royalties não passaria de R$ 13 bilhões. Zylbtersztajn disse que trabalhou com um número "conservador", levando em conta as perspectivas atuais da produção de petróleo. "Eu cheguei a dizer ao Zylbtersztajn que ele mais parecia o Nostradamus - médico e astrólogo que previu o fim do mundo -, por estar tão pessimista e conservador em relação à produção do petróleo", afirmou Garotinho.
Trazida a valores presentes, a antecipação dos royalties
que seria de R$ 13 bilhões em 20 anos, ficaria em torno de R$ 6
7 bilhões, segundo Garotinho. Na avaliação do governo fluminense, os R$ 6,7 bilhões serão, portanto, usados para o abatimento da dívida mobiliária, que está em cerca de R$ 13 bilhões. A assinatura do acordo está prevista para ocorrer na próxima sexta-feira (13).

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