Garotinho cede para ter esquerda no governo
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 17 (AE) - Na tentativa de abrir espaço para a esquerda em seu governo - desde a semana passada sem o PT, que deixou a administração - o governador Anthony Garotinho (PDT) teve de ceder a partidos aos quais oferecera cargos no Executivo. As legendas PSB e PC do B reafirmaram seu apoio ao pedetista, mas preferiram indicar nomes diferentes dos que Garotinho escolhera para os cargos. Um deles foi o economista Luís Henrique Lima, do PSB, cujo nome foi anunciado à noite como novo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos.
Durante café da manhã no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, Garotinho ouviu da cúpula estadual do PSB que o deputado Paulo Balthazar (PSB-RJ), inicialmente o preferido do governador, não assumiria o Saneamento. Motivo: Balthazar é integrante da CPI do Narcotráfico, que se aproxima do seu fim. Os socialistas indicaram Lima, que é auditor do Tribunal de Contas da União, em seu lugar. Lima já foi do PDT e secretário no governo Brizola.
Outro convite que os socialistas não aceitaram foi o feito a Ricardo Maranhão para a presidência da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla). Maranhão quer concorrer a uma cadeira na Câmara do Rio e, se ocupar um cargo oficial, se tornará inelegível.
Para a vaga da Serla, o PSB quer indicar Eliane Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). O PSB também indicou o médico Roberto Chabo para subsecretário de Saúde. "O governador disse que quer fazer a reforma do secretariado com a participação do partido", disse o presidente regional do PSB, Alexandre Cardoso, que se reuniu com o governador, acompanhado de Maranhão e Balthazar. Hoje, foi nomeado outro socialista, Jaime Cardoso, como secretário do Trabalho.
À tarde, foi a vez de o PC do B recusar convite. Em almoço, o deputado Emilson Valentim disse a Garotinho que não poderia assumir a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos, porque, com isso, o PC do B perderia a única vaga que tem na Assembléia do Rio. A decisão de recusar fora tomada de manhã pela comissão política estadual da legenda. Como alternativa, foram apresentados pelo partido alguns nomes, um deles com mais ênfase. Valentim não quis revelar quem era o indicado. Ele disse que não é um quadro do PC do B, mas uma "personalidade".
"A nova secretaria será importante, ficará com a difusão dos direitos humanos, o Programa de Proteção a Testemunhas e fiscalizará as Polícias, por intermédio da nova Corregedoria e da Ouvidoria", disse o parlamentar. Ele esteve com Garotinho acompanhado da presidente regional do PC do B, Ana Rocha, do vereador Fernando Gusmão e do dirigente nacional Renato Rabelo.


