Garotinho bate boca com sociólogo em programa de rádio18/Mar, 13:22 Por Adriana Ferreira e Wilson Tosta Rio, 18 (AE) - Deslealdade, transigência com policiais corruptos, deselegância, ter duas caras. Essas foram algumas das acusações trocadas hoje, ao vivo, pela Rádio CBN, entre o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e o sociólogo Luiz Eduardo Soares, demitido do cargo de coordenador de Segurança Pública e Cidadania. Irritado com a divulgação, por Garotinho, de uma gravação da conversa em que o governador o demitiu, Soares o desafiou a revelar a íntegra de diálogos entre os dois e reafirmou que a "banda podre" da polícia, formada por corruptos, venceu. Garotinho insistiu que combaterá os maus policiais. Ao protagonizar o bate-boca, Soares estava no estúdio, mas Garotinho falava por telefone. Mais cedo, em seu programa semanal na Rádio Tupi, o governador atacara Soares. No mesmo programa, o secretário da Segurança Pública, Josias Quintal, e Garotinho acusaram Soares de ter nomeado policiais ligados à "banda podre". Segundo o sociólogo, o governador cedeu, como todos os antecessores, à pressão de policiais corruptos e violentos, que ameaçam parar a polícia. A discussão entre os dois (que escreveram juntos o livro "Violência e Criminalidade no Estado do Rio de Janeiro", uma das principais peças de campanha do pedetista em 1998) subiu de tom quando Garotinho, ao dizer que quer uma polícia limpa, disse que não transige em questões éticas. Soares bateu de volta: "Governador, se o sr. garante que não transige com as questões éticas, por que é que o sr. divulgou a nossa conversa privada ontem (17)?" "A conversa não era privada", respondeu Garotinho. "A conversa foi entre um chefe e um colaborador, que diz uma coisa para o seu chefe e diz outra para imprensa." "Isso o que o sr. fez foi uma vergonha" disse Soares. "Eu fiquei indignado, eu acho que é uma deslealdade, uma descortesia, uma deselegância." "Você ficou indignado porque caiu a sua máscara", respondeu o governador. "Governador, quando privadamente a gente faz uma manifestação carinhosa, de respeito, dizendo pode contar comigo, a gente quer dizer o seguinte: enquanto e sempre o senhor quiser voltar a respeitar o nosso livro, pode contar comigo (sic) como cidadão." "Não, não foi assim que o senhor falou não", disse. "Eu liguei, já tinha dito a você na véspera, bati na sua perna, no meu gabinete, e disse: 'Olha, doutor Luiz Eduardo, ficou difícil dessa forma, vai sair todo mundo. (...) 'Vai sair o senhor...'Confirma que eu lhe disse isso?" "Não confirmo que o senhor me tenha dito isso", respondeu Soares. "É possível que se o senhor tiver gravado também esta nossa conversa, o senhor ponha no ar, então, toda a sequência dela, do início ao final, com tudo o que eu lhe disse ao longo dela, inclusive com o que foi dito depois que o senhor saiu da sala, ao bater na minha perna e dizer isso." "Eu só queria, então, deixar claro para a opinião pública, que o doutor Luiz Eduardo, hoje, está dizendo que não disse que o governador Garotinho está fazendo aliança com a banda podre"", bateu o governador. Mais tarde, Soares voltou a protagonizar outro bate-boca desta vez no programa RJ-TV, da Rede Globo, com secretário de Segurança Pública. Quintal lhe cobrou nomes de policiais corruptos. Soares, que se mostrou cético em relação à possibilidade de a comissão formada para investigar o caso chegue a algum resultado, apontou os inspetores Guimarães e Magalhães como integrantes do grupo Astra.

mockup