Garotinho atribui denúncias contra secretários a Moreira Franco
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sábado, 01 de abril de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 02 (AE) - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), deixou claro hoje em que considera o assessor especial da presidência da República , o ex-governador Moreira Franco responsável pelas denúncias contra secretários de seu governo, publicadas nas revistas "Veja, Istoé e Época". Garotinho disse que, até sexta-feira, os secretários sob suspeita terão de entregar uma defesa prévia para que ele decida se vai investigar as denúncias ou afastá-los.
"Quem não me convencer está afastado", avisou o governador, após uma reunião com seus principais auxiliares no Palácio Guanabara, na qual as denúncias foram discutidas. Ele contou que alguns dos seus secretários também estão "livres"para processar as publicações nas quais foram divulgadas as denúncias.
Mesmo antes de receber as explicações, o governador rebateu alguns dos pontos levantados pelas reportagens. Ele defendeu o presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos (Asep), Ranulfo Vidigal, da acusação de ter sido afastado do cargo de prefeito de São João da Barra por irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)."Foi uma cassação política, por um problema entre ele e a Câmara de Vereadores", afirmou Garotinho. "Naquele caso específico, ele não agiu de má-fé."
Defesa - O governador acrescentou que desconhece qualquer gravação de conversa na qual o presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), Carlos Augusto Siqueira, combinava o superfaturamento dos custos de um show em Campos, como foi publicado por "Veja". Mas afirmou que, em 1995, quando o show foi feito, ele não era prefeito do município nem trabalhava com Siqueira.
Garotinho também negou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tenha detectado irregularidades na Companhia Estadual de Habitação (Cehab), conforme matéria da "Veja", que informou terem sido descobertas irregularidades em trabalho feito pela construtora Grande Piso. A empresa paranaense pertence a Roberto Sass, ex-militante do PRN, assim como o presidente da Cehab, Eduardo Cunha. "A inspeção do Tribunal de Contas na Cehab começa só na segunda-feira, não existe nada", rebateu.
Na avaliação do governador, as reportagens das três revistas foram baseadas em "dossiês" que foram distribuídos por um assessor do presidente. Ele acrescentou que o mesmo assessor pressionou conselheiros do Tribunal de Contas para que eles apontassem irregularidades inexistentes. Ele não quis dizer que Moreira Franco era o assessor. Mas admitiu tacitamente, ao ser perguntado se o responsável era um ex-governador do Rio de Janeiro. "Vocês já sabem quem é, eu não preciso mais falar", respondeu, rindo. Procurado, o assessor especial da presidência não retornou às ligações telefônicas até as 19 horas.
Explicações - Garotinho contou que hoje, durante a reunião com seus secretários e presidentes de autarquia, recebeu telefonema do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que negou qualquer envolvimento do presidente . "O presidente disse que, se alguém no governo federal está fazendo isso, não é do conhecimento dele", afirmou. O governador disse que na sexta-feira já tinha conversado com Pimenta, cobrando explicações desas denúncias.
Para o governador, as suspeitas não passam de uma campanha para "jogar lama" em seu nome, por meio de seus secretários. "E os assessores próximos do presidente, não o comprometem com este comportamento?", questionou. "Tudo isso é para quê, para abafar o anúncio de R$ 400 do salário mínimo?", continou, refererindo-se ao anúncio feito por ele de elevar o piso salarial da sua administração.


