Garotinho ataca Brizola e Itamar
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 28 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje estar disposto a enfrentar seu colega mineiro, Itamar Franco (PMDB), em um possível debate eleitoral pela sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, antecipando a divisão entre os partidos de esquerda que deverá crescer até 2002. "Quem disse que Itamar não é um bom candidato?", disse, em tom irônico. "Eu mesmo, ser for candidato, vou perguntar a ele o que o fez vender a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e, agora
estar contra as privatizações do Fernando Henrique." Segundo o governador, é "muito cômodo" Itamar criticar o governo, depois de ter sido embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), indicado pelo atual presidente.
Os ataques de Garotinho a Itamar tem endereço certo: atingir as intenções do líder do seu partido, o ex-governador Leonel Brizola, de atrair o governador mineiro para o partido que poderá ser formado com a fusão do PDT e o PSB, de Miguel Arraes. A fusão está sendo vista como a única saída para driblar a aprovação da cláusula que proíbe a coligações partidárias, durante a reforma política, em discussão no Senado.
Brizola não esconde o desejo de ver Itamar candidato em 2002 pela nova legenda, batizada provisoriamente de Partido Trabalhista Socialista, que, poderá agregar ainda outros partidos de esquerda, como o PCdoB, PCB e o PPS. Em entrevista recente ao jornal "O Dia", o ex-governador disse que Garotinho até agora mostrou-se ser "apenas um bom comunicador". "Tem gente que age com hipocrisia; eu não vou negar que quero (ser candidato a presidente), mas para querer tem de haver as condições para tal, como estar bem, com a popularidade boa, fazendo um bom governo", afirmou. Em uma resposta ao líder pedetista, Garotinho afirmou que os que criticam sua candidatura agora "deveriam ter pensado nisso quando foram candidato", referindo-se aos baixos índices de popularidade de Brizola, quando resolveu deixar o cargo de governador do Rio para concorrer as eleições presidenciais de 1994.
Embora não descarte a possibilidade de concorrer à sucessão de Fernando Henrique, Garotinho disse que ainda é cedo para discutir esse assunto. Na quarta-feira, ele foi aclamado candidato em uma reunião da bancada federal do PDT, em Brasília. A senadora Emília Fernandes (PDT-RS) chegou a convidá-lo para ir a Porto Alegre, no dia 11, quando seria realizada uma festa oficial de lançamento da sua pré-candidatura a presidente.
"Eu até gostaria muito que isso ocorresse, mas um pouco mais à frente; não agora", disse Garotinho, que descartou a possibilidade de ir a capital gaúcha. "Nesses dois primeiros anos, eu preciso estar inteiramente dedicado a tirar o Rio da falência, até para merecer o crédito da população."
Auditoria - O governador do Rio assinou hoje decreto para realização de uma auditoria em todos os atos praticados pelo Programa Estadual de Desestatização (PED), lançado em 1994, pelo governo Marcello Alencar. A auditoria, que terá prazo de 180 dias para ficar pronta, será realizada por técnicos da Coordenação dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Serão revisados todos os editais de venda das estatais e empresas públicas privatizadas nos últimos quatro anos, entre as quais, o Metrô, o Banco do Estados do Rio de Janeiro (Banerj) e a Companhia Estadual de Gás (CEG). "Queremos uma auditoria isenta, sem interferências ideológicas que possam prejudicar A, B ou C, por isso escolhemos a Coppe, entidade de reconhecido respaldo na sociedade", afirmou Garotinho.


