Garotinho ameaça renunciar em reunião do Conselho Político do PDT
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 11 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), ameaçou hoje renunciar ao cargo, em reunião do conselho político do partido que discutia um acordo para encerrar o confronto entre os grupos dele e do presidente nacional da legenda, Leonel Brizola. Segundo participantes do encontro, Garotinho, inconformado com as críticas que recebeu - até de "cínico" foi chamado -, disse que, se o PDT formalizasse por carta os ataques que lhe fazem, entregaria o cargo à legenda. Depois, o governador negou, por intermédio de assessores, o episódio, mas integrantes do conselho confirmaram a ameaça de renúncia.
"Vocês me entreguem uma carta, dizendo que me afastei ou traí o partido, que eu entregarei o meu cargo", declarou o governador, na reunião a portas fechadas, na sede da sigla. Em seguida, retirou-se, deixando surpresos assessores e secretários.
A crise foi contornada com um acordo. Brizola recuou e adiou a reunião do diretório que oficializaria hoje a decisão de ter candidato próprio a prefeito do Rio. Garotinho, que ameaçava realizar domingo (13) um encontro para discutir a democratização do partido, desistiu.
O recuo de Brizola, que, paradoxalmente, saiu com discurso de pré-candidato à prefeitura, aconteceu após sete horas uma tensa reunião do Conselho Político do PDT fluminense, marcada por acusações mútuas, na sede da legenda. Em contrapartida, Garotinho aceitou suspender o encontro domingo.
Com a trégua, o governador conseguiu o adiamento da oficialização da decisão sobre a candidatura - ele defende o apoio à vice-governadora Benedita da Silva (PT), e Brizola, a candidatura própria -, sem declarar publicamente que apoiará a resolução do PDT, seja qual for (possibilidade que fora oferecida na reunião do conselho) - ele não se comprometeu oficialmente a apoiar um candidato pedetista, caso o partido realmente tenha postulante próprio. Em troca, não fará o encontro de domingo, que seria uma manifestação de apoio a ele. Horas antes da trégua, Garotinho foi embora, demonstrando irritação.
"Não tenho sangue de barata", disse ele, quando saiu, às 13h10 (a reunião começara por volta das 10 horas), ao secretário da Fazenda, Fernando Lopes, e a militantes que pediam para que ele ficasse. "Vocês não sabem o que se passou lá dentro." Garotinho reclamou que "não lhe davam a palavra" e que estava ocorrendo um "jogo de cartas marcadas". O governador reiterou que não sai do partido. Uma fonte ligada ao governador afirmou que os brizolistas ameaçaram negar legenda aos candidatos a prefeito ligados a Garotinho, se ele não recuasse da reunião de domingo. Brizola negou.
No encontro do conselho político, o governador recusou-se a aceitar a proposta defendida pelo deputado federal Miro Teixeira (RJ) de que ressalvasse que não concordava com a candidatura própria, mas se submeteria à decisão do diretório regional. Garotinho disse que não poderia dar essa declaração. Brizola perguntou ao governador e ao vereador Fernando William quem quer expulsar Garotinho do partido (a acusação feita na convocatória do encontro de domingo, assinada pelo vereador).
William não deu uma resposta direta, mas o governador bateu duro. "O sr. é que quer me expulsar", disse. O governador queixou-se de ter sido chamado, por Brizola, de "Jânio Quadros" (ex-prefeito de São Paulo e ex-presidente, do PFL) e de "Benito Mussolini" (ex-ditador da Itália, que instituiu o facismo), e prometeu respondeu com dureza aos ataques. Ele reclamou que havia um acordo com o PT para apoiar Benedita, o que foi negado por Brizola. "Você não pode me chamar de mentiroso", afirmou o presidente do PDT. O deputado estadual Paulo Ramos chamou o governador de cínico. Às 15h15, uma comissão formada pelos secretários de Governo, Carlos Lupi, e de Desenvolvimento Econômico do Estado, Tito Ryff, e pela líder do PDT na Assembléia, Graça Mattos, foram para o Palácio Guanabara propor o acerto.
Inicialmente, a proposta era realizar a reunião de hoje do diretório, mas sem decidir nada. Em troca, o governador suspenderia o encontro de domingo. Garotinho não aceitou. Ficou acertado que nenhuma das reuniões aconteceria (a de hoje foi formalmente aberta e logo encerrada por ter sido convocada em "Diário Oficial"). Foi firmado um documento com o compromisso, assinado pelos quatro e por William. Brizola aceitou: Lupi consultou-o por celular.
"Para evitar que esse tema adquira um aspecto conflituoso, de disputa mais acirrada, concordamos mutuamente fazer um consenso, como se diz no Uruguai, um quarto intermédio, uma pausa para um cafezinho e troca de idéias", afirmou. Havia o temor de que as reuniões acabassem em conflito físico. Brizola ressaltou que a decisão de ter candidato próprio continua e afirmou que cada vez mais gosta da idéia de concorrer à prefeitura


