Brasília, 09 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje que, se for aprovado pelo Senado o contrato da renegociação da dívida com a União assinado pelo antecessor dele, Marcello Alencar (PSDB), o Estado irá quebrar. Isso porque, segundo Garotinho, o Rio não suportaria passar de 6% para 14% o comprometimento da receita com o pagamento da dívida.
Ele também lembrou que o governo não terá como pagar o acumulado dos meses atrasados, uma vez que a renegociação foi feita em junho. "Atualmente, o Estado tem um déficit primário de R$ 70 milhões por mês", ponderou o governador pedetista, mostrando que a dívida total do Estado é de R$ 23 bilhões, sem contar com uma dívida de R$ 2,3 bilhões com fornecedores e empreiteiras.
Garotinho ressaltou que, pelo contrato, o comprometimento da receita do Estado com a dívida crescerá anualmente até 2002, quando 25% da arrecadação do Estado deverá ir para a União. Ele quer a mudança de várias cláusulas do contrato, uma vez que foram detectados erros na fórmula do cálculo. "Eles incluíram na receita líquida do Rio a transferência feita pelo governo federal para o pagamento de antigos funcionários da União", argumentou o governador.
Na reunião, Garotinho também denunciou os termos do contrato da privatização do metrô do Rio. "Privatizamos o metrô
mas ficamos com os 6 mil funcionários, ao custo de R$ 100 milhões por ano", disse Garotinho, lembrando que o Banco Opportunity, principal acionista do consórcio comprador do metro
deixou de pagar as quatro primeiras parcelas no valor de R$ 1 milhão cada uma.
"Se era para privatizar com o objetivo de cortar gastos com a folha, por quê o governo ficou com os funcionários?", questionou Garotinho aos ministros. Ele também criticou o gesto de Alencar, que resolveu comprar 32% de participação acionária da fábrica Renaut, ao preço de R$ 150 milhões. "Como o governo vira sócio de uma montadora de automóveis, se a ordem é desestatizar?", argumentou.

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