Garotinho afasta corregedor da Polícia Civil do Rio16/Mar, 14:25 Por Murilo Fiuza de Melo e Felipe Werneck. Rio, 16 (AE) - O corregedor da Polícia Civil, delegado Waldir Arruda, foi afastado há pouco do cargo pelo governador Anthony Garotinho (PDT), em razão das declarações do coordenador da Segurança, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, que levantara suspeitas sobre o trabalho de Arruda e de outros integrantes do alto escalão da polícia. "Temos informações contra o corregedor mas caso as outras denúncias não sejam comprovadas, não descarto a possibilidade de afastar o Luiz Eduardo", afirmou Garotinho. Pela manhã, havia a expectativa de que todos os delegados que ocupam cargos de chefia pediriam afastamento, entre eles o superintendente das delegacias especializadas, Marcos Reimão. Garotinho segue neste momento - acompanhado do secretário da Segurança, coronel Josias Quintal, desafeto de Soares - para o Ministério Público Estadual, onde deverá formar uma comissão para investigar as denúncias. "O governador deve estar mal-informado; estou surpreso com essa decisão, estava trabalhando normalmente", declarou Arruda, momentos após ser informado sobre o afastamento. "Foi uma bomba em cima da instituição, eu e meus auxiliares estamos chocados." Ele não quis, porém, avaliar o trabalho de Soares à frente da área da Segurança Pública. "Ele é meu superior hierárquico, não posso avaliá-lo", declarou. "Tenho 36 anos de empenho, um trabalho correto e imparcial", disse. "Provar é difícil, nosso trabalho é de investigação, estamos num estado de direito", disse referindo-se às críticas de Soares ao trabalho da corregedoria. O deputado estadual Hélio Luz (PT), ex-chefe da Polícia Civil (1995-1998), disse ontem que a "banda podre não se reduz à Polícia Civil e à Polícia Militar". "Talvez haja um mar de lama no Palácio Guanabara", afirmou o deputado, que integra a comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa. Para Luz, as acusações de Soares "não são novidade". "O Luiz Eduardo está certo, mas isso é peixe pequeno", disse. "É efeito, não é causa, apenas a ponta do iceberg", afirmou. Para Luz, a polícia, que trabalha com indícios, e não provas, deve afastar os envolvidos para investigação. Ele disse suspeitar do envolvimento de integrantes do alto escalão do governo com o jogo do bicho.

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