Rio, 20 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), acusou hoje o presidente do nacional partido, Leonel Brizola, de, ao ameaçar levá-lo a uma comissão de ética para apurar o suposto envolvimento dele em atos de manipulação política da religião, tentar desviar para o campo pessoal a discussão da eleição de 2000. Garotinho disse que, em 2000, ficou acertado que a candidata da coligação PDT-PT à prefeitura do Rio seria a vice-governadora Benedita da Silva (PT), num acordo feito por ele, a petista e os presidentes nacional, deputado José Dirceu (SP), e de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
Brizola, porém, afirmou, diz que não lembra do acerto. "Isso (o acordo pró-Benedita) foi feito pelos cinco", disse o governador. "Brizola esqueceu, diz que não lembra; eu lembro, falei com o Lula, e Lula lembra; o Zé Dirceu lembra; a Benedita lembra; será que está todo mundo errado?" O governador do Rio é evangélico e tem percorrido o País para participar de cultos, numa atitude que Brizola tem denunciado como mistura indevida de política com religião.
Garotinho disse que Brizola tem a "síndrome da traição" e afirmou que o presidente do PDT está enganado, ao acusá-lo de nomear evangélicos para cargos importantes. "Então, vamos começar: minha secretária de Educação, Lia Faria, é católica; de Justiça, dr. Sérgio Zveiter, judeu; de Governo, Carlos Lupi, espírita; de Transportes, dr. Henrique Alberto, espírita; de Administração, dr. Hugo Leal, católico praticante e foi até seminarista; de Fazenda, Fernando Lopes, agnóstico; de Planejamento, Jorge Bittar, agnóstico; do Trabalho, Gilberto Palmares, agnóstico", declarou. "Não tenho nenhum secretário evangélico, o que Brizola está querendo é pretexto para brigar." O governador afirmou que o presidente do partido não tem encontrado motivos administrativos para o criticar, pois a administração tem bons índices de popularidade, e, por isso, o ataca no plano pessoal, usando a religião. "É uma questão que é íntima, eu tenho o direito, que me é garantido pela Constituição
à liberdade de culto", declarou. "Lamento que, depois de tanto tempo fazendo política, o Brizola esteja desviando para o campo pessoal uma discussão que deveria ser política." Garotinho também explicou que ainda não decidiu se vai aceitar o convite de parlamentares do PST para participar do programa de televisão do partido. "De qual programa do PST que eu vou participar?; quem disse a ele em que vou participar?; de onde ele tirou isso?", perguntou. O pedetista contou que foi procurado por deputados da legenda que lhe fizeram a oferta. "Nem examinei essa possibilidade, estão tão longe, é no ano que vem", afirmou. O pedetista voltou a descartar a hipótese de deixar o PDT, apesar dos problemas que tem enfrentado. "Minha história é de luta, de enfrentar situações."

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