Garimpo descoberto no Pará vive corrida do ouro
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segunda-feira, 21 de abril de 2003
Agência Estado 
Belém - Localizado no meio do Rio Xingu e a duas horas e meia de avião da cidade de Altamira, um novo garimpo, descoberto há dois meses, está atraindo centenas de garimpeiros de várias regiões da Amazônia para o sudoeste do Pará. No local já existem cerca de 80 balsas e mais de 700 pessoas. Os garimpeiros que primeiro chegaram ao local afirmam que o ouro encontrado no fundo do rio é de excelente qualidade.
O diretor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Altamira, Carlos Bicelli, informou já ter remetido para Brasília um relatório sobre a existência do garimpo.
Ele teme que a utilização do mercúrio no processo de separação do ouro provoque problemas ambientais na área. Isso já aconteceu com pelo menos outros quatro garimpos existentes às proximidades, como o da Ressaca.
No mês passado, na mesma região, os índios curuaia mantiveram reféns por quinze dias 22 pessoas que, num barco, levavam armas, combustível e comida para o Garimpo da Madalena, localizado em suas terras.
O maranhense Antonio Ribamar Flores, de 51 anos, disse à reportagem que está se mudando de Marabá com a mulher e os três filhos para o novo garimpo. Para chegar ao local, ele comprou uma passagem de barco na cidade de Altamira, pagando R$ 20 pela viagem, que dura 24 horas.
Segundo ele, o garimpo de Serra Pelada, em Curionópolis, está falido e hoje só produz brigas e mortes entre os próprios garimpeiros. Por conta disso, decidiu tentar vida nova na região do Xingu. ''Em Serra Pelada ganhei três malárias e só garimpei dívidas'', disse Flores.


