A Fundação Nacional do Índio (Funai) constatou que mais de mil garimpeiros voltaram a invadir a reserva indígena dos ianomâmis, em Roraima, à procura de ouro. Com a ajuda da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, a Funai começou a desenvolver esta semana a ‘‘Operação Ianomâmi’’, para retirar os garimpeiros.
O presidente da Funai, Glênio da Costa Álvarez, disse que alguns garimpeiros estão fornecendo armas aos índios em troca da exploração de ouro. A Funai e PF investigam a denúncia da morte de um garimpeiro na região.
Quem está na área, coordenando a operação, é o vice-presidente da Funai, Dinarte Nobre Madeiro, que em 1991 foi responsável por uma operação semelhante. Na época, cerca de 15 mil garimpeiros extraíam ouro ilegalmente e a grande maioria foi retirada do local.
A reserva dos ianomâmis tem 9,6 milhões de hectares e sua demarcação foi homologada em 1992. Na área existem cerca de 10 mil índios. Hoje, Madeiro deverá sobrevoar o local, na companhia de policiais federais e procuradores da República, para montar uma estratégia de expulsão dos garimpeiros.
A Funai quer tentar evitar o conflito na região, pois os índios estão armados. A PF teme que os garimpeiros comecem a contratar índios para proteger as áreas de garimpo.
Aves Glênio da Costa Álvarez vai negociar com caciques de várias tribos e com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) uma forma de evitar novas apreensões de artesanatos indígenas com penas de aves em extinção. Na última quinta-feira, o Ibama apreendeu artesanato indígena em Belém (PA), causando descontentamento entre vários caciques.
Álvarez acredita que será possível chegar a um consenso entre índios e fiscalização, com a adoção de uma ‘‘educação ambiental’’, de longo prazo. Segundo a Funai, os fiscais do Ibama apreenderam alguns cocares feitos com penas de aves em extinção, como araras-azuis e gaviões-reais. Álvarez afirmou que os índios não matam as aves para fazer artesanato. ‘‘Isto é uma questão cultural’’, disse ele.
O presidente da Funai disse ter ‘‘estranhado’’ a apreensão de artesanatos em uma loja da Funai, mas afirmou que não quer levantar um conflito entre órgãos públicos por um questão que tem de ser negociada.

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