Garimpeiros libertam reféns, mas ocupam bancos em Marabá
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sábado, 19 de setembro de 1998
Carlos Mendes Agência Estado 
Os garimpeiros de Serra Pelada libertaram na madrugada de ontem os sete funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) em Marabá, no sul do Pará, que eram mantidos como reféns nos últimos dois dias com outros 18 funcionários do Banco do Brasil, libertados anteontem. Os garimpeiros decidiram, em assembléia geral, ocupar os prédios das duas agências bancárias. Eles afirmam que só permitirão a abertura das agências para ingresso dos funcionários e atendimento ao público quando o governo federal depositar na conta dos garimpeiros R$ 120 milhões pela compra do paládio, subproduto do ouro, extraído do garimpo de Serra Pelada em 1985.
Abatido, o gerente da CEF Givane César Tavares Navarro disse que as quase 48 horas em que permaneceu dentro da agência, como refém, sem poder tomar banho, foram as piores de sua vida. Navarro lamentou que a polícia não tenha conseguido cumprir decisão do juiz federal Leão Aparecido Alves, que mandou libertar os reféns e desocupar as agências em 24 horas. Segundo o gerente, a ação era difícil por causa do comportamento agressivo dos líderes dos garimpeiros. Se tivesse havido bom senso não teríamos sofrido tantos constrangimentos, disse.
Os líderes dos garimpeiros estão divididos quanto à melhor estratégia para forçar o governo a liberar os R$ 120 milhões. Há 49 dias morando na praça Duque de Caxias, muitos garimpeiros estão cansados e defendem o fim do bloqueio das agências. Luís da Mata foi destituído de uma das lideranças do movimento. Ele disse que somente a Justiça Federal tem poder para mandar liberar o dinheiro. Isso só acontecerá no mínimo em 60 dias, disse. Para os garimpeiros, Mata é um fraco e sem poder de negociação.


